Advogado nega envolvimento de amigo na morte de adolescente em Manaus

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Foto: Reprodução

Manaus (AM) – O advogado Júlio Mendes negou, na tarde desta quinta-feira (31), qualquer envolvimento de Henrique César na morte da adolescente Isabele Dinelly Martins, de 15 anos, natural do município de Maués (a 276 quilômetros de Manaus). A jovem foi encontrada em estado grave na manhã de domingo (27) e morreu horas depois em uma unidade hospitalar da zona leste da capital. O caso é tratado pela Polícia Civil como homicídio qualificado com requintes de crueldade.

Segundo o advogado, Henrique, que era amigo da vítima, será ouvido como testemunha por ter sido a última pessoa a vê-la com vida antes do desaparecimento. “Já entrei em contato com o delegado e fui informado que ele será ouvido como testemunha. Ele não é suspeito no inquérito”, declarou Mendes.

Henrique e a vítima

De acordo com o defensor, Henrique e Isabele se conheciam há anos, desde quando viviam em Maués. A adolescente estaria em Manaus de férias com a família. Na noite da sexta-feira (25), ela teria ligado para o amigo convidando-o para sair. Eles se encontraram no bairro Compensa e foram até uma loja de conveniência, onde permaneceram até cerca de 22h30.

Ainda conforme o relato, Henrique deixou Isabele no mesmo local onde a havia pego, por volta das 23h. Ele contou ao advogado que a adolescente disse que seguiria para a casa de um suposto namorado, próximo ao colégio Ciesa, e recusou carona por saber que o amigo trabalharia cedo no dia seguinte. Henrique afirmou que ela então solicitou um carro por aplicativo. Em seguida, ele também chamou um transporte para retornar à própria residência.

“Henrique afirmou que só soube que Isabele tinha 15 anos quando foi chamado para prestar esclarecimentos. Ela sempre dizia que tinha 18, frequentava bares, adegas, e locais restritos a maiores”, ressaltou o advogado, que também afirmou que a família da jovem já tinha conhecimento desses hábitos.

Contradições e suspeitas

O advogado admitiu que houve consumo de bebida alcoólica na noite em que os dois estiveram juntos. Ele também confirmou que Henrique repassou informações sobre os últimos momentos com Isabele ao primo da adolescente, mas apontou possíveis distorções nesse relato.

“Tudo o que o primo falou para a imprensa foi repassado pelo Henrique, mas pode ter havido alguma divergência na versão ou detalhes mal interpretados”, comentou.

Apesar das negativas, a família da vítima mantém desconfiança sobre Henrique, apontando-o como um possível suspeito, por ter sido o último a estar com a adolescente antes do desaparecimento. O pai de Isabele, inclusive, chegou a registrar um boletim de ocorrência por ameaça contra Henrique.

O caso

Isabele desapareceu por volta das 20h da sexta-feira (25), após sair da casa da tia no bairro Santo Agostinho, zona oeste de Manaus. A família só descobriu seu paradeiro no domingo (27), quando foi informada que uma jovem com as características da adolescente havia sido internada gravemente ferida por volta das 5h30 da manhã em uma unidade hospitalar da zona leste da cidade. Isabele não resistiu e morreu por volta das 11h30.

A identificação do corpo só foi confirmada no Instituto Médico Legal (IML) na quarta-feira (30). O laudo preliminar indica que a vítima sofreu extrema violência física, com marcas de espancamento e tortura.

A polícia investiga o caso com base nas últimas movimentações da vítima. O delegado Ricardo Cunha, da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), afirmou que a jovem foi deixada por volta da meia-noite na rua Cruzeiro do Sul, bairro Compensa, área considerada de alto risco e sob domínio de facções criminosas.

“De meia-noite até cerca de 4h da manhã, ela foi brutalmente agredida. Ainda estamos tentando entender o que aconteceu nesse intervalo e com quem ela esteve. O caso é de extrema gravidade”, declarou o delegado.

As investigações seguem com base em imagens de câmeras de segurança, depoimentos e análise de dados de localização e aplicativos usados pela vítima e pelas testemunhas.

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