Incomodados com a postura da médica Nise Yamaguchi que anseia apresentar documentos desmontando a narrativa da alteração da bula, inclusive com a minuta da prescrição da Hidroxicloroquina (HCQ), o presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), constrangeu, nesta terça-feira (1°/6), a médica análise técnica sobre as vacinas tirada do contexto. A fala causou tumulto na sessão.
O relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), passou um vídeo em que Nise diz que não se deve vacinar deliberadamente nem obrigatoriamente, preocupada com os públicos ainda não testados ou muito pouco testados, em que se faltam dados sobre efeitos colaterais, como crianças e gestantes. “Tratamento precoce salva vidas e, portanto, não precisa vacinar aleatoriamente a população inteira dizendo que é a única saída”, disse ela, que reafirmou a opinião na sessão.
Confrontada com o vídeo, Nise disse que não discordava de sua fala no vídeo. O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), logo a constrangeu e não deixou a médica expor o contexto, criando um verdadeiro constrangimento e intimidação.
“A doutora Nise, com essa voz calma, tranquila, é convincente. Peço que desconsiderem o que ela está dizendo em relação à vacina”, disse Omar. “O brasileiro precisa de duas [doses] de vacina. A vacina salva”, continuou o presidente da CPI.
Diferentemente das pessoas já ouvidas, Nise Yamaguchi foi convidada, não convocada. Assim, não seria obrigada a comparecer à CPI. A médica prestou o compromisso de dizer a verdade no início da sessão.
Nas redes, o senador Marcos Rogério registrou o episódio da falta de respeito à medica.
O relator expõe vídeos recortados e não permite à dra Nise Yamaguchi falar e explicar o contexto. Quer apenas sim, ou não. Me parece que trouxeram a depoente para fazer espetáculo e não para investigar! Faltam com respeito à depoente, à sua história e biografia. #CPIdaPandemia pic.twitter.com/yfiCUJh2sd
— MARCOS ROGÉRIO (@MarcosRogerio) June 1, 2021
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