Manaus (AM) – Os desligamentos programados de energia elétrica têm se intensificado em Manaus e passado a integrar a rotina de moradores em diferentes bairros da capital. Embora apresentados como necessários para modernizar a rede elétrica, os cortes — que chegam a durar até oito horas — evidenciam a pressão sobre a infraestrutura do sistema e ampliam questionamentos sobre a qualidade do serviço prestado pela concessionária.
Entre os dias 20 e 28 de março de 2026, um levantamento baseado em comunicados oficiais identificou intervenções em 32 bairros da capital, distribuídas por todas as zonas da cidade, além de áreas rurais e industriais. Na zona Leste, bairros como Jorge Teixeira e São Lázaro aparecem de forma recorrente, enquanto na zona Norte as ações alcançaram áreas como Cidade de Deus, Nova Cidade e Monte das Oliveiras.
Já na zona Sul, foram registrados serviços em Japiim, Cachoeirinha, Centro e Educandos, enquanto a zona Oeste incluiu bairros como Compensa, Alvorada, Lírio do Vale e Ponta Negra. Na zona Centro-Sul, intervenções atingiram Adrianópolis, Flores, Aleixo, Chapada, Dom Pedro e Parque Dez de Novembro.
A distribuição das obras ao longo dos dias revela não apenas a abrangência territorial, mas também a repetição de intervenções em áreas consideradas estratégicas. No dia 20 de março, os serviços se concentraram no Distrito Industrial I e II, no bairro Jorge Teixeira e em ramais da BR-174. Em 21 de março, houve uma das maiores mobilizações, com trabalhos simultâneos em dez bairros, incluindo Japiim, Cidade de Deus, Dom Pedro e Parque Dez de Novembro.
Nos dias seguintes, o cronograma avançou por regiões centrais e periféricas, alcançando bairros como Coroado, Centro, Educandos, Cachoeirinha e Novo Aleixo, além de novas intervenções no Distrito Industrial I. Entre 24 e 26 de março, os serviços se concentraram em áreas como Chapada, Flores, Compensa e Ponta Negra, mantendo também recorrência no Jorge Teixeira. O período foi encerrado nos dias 27 e 28, com ações em bairros como Mauazinho, Tancredo Neves, Morro da Liberdade, Alvorada, Coroado e Adrianópolis.

Queixas e impactos no cotidiano
A concessionária sustenta que os desligamentos são necessários para a execução de manutenção preventiva e obras de melhoria da rede, com o objetivo de reduzir falhas inesperadas e aumentar a confiabilidade do sistema. No entanto, a frequência e a duração das interrupções têm gerado uma sequência de queixas de consumidores, que relatam prejuízos diretos e dificuldades para manter atividades básicas durante os períodos sem energia.
A insatisfação dos consumidores se reflete em indicadores de reputação. No site Reclame Aqui, uma das principais plataformas de avaliação do país, a concessionária registra nota 5,8 em uma escala de 0 a 10, com 2.768 reclamações relacionadas à falta de energia, demora no restabelecimento e falhas na comunicação.
Nos comentários do sit, consumidores relatam situações recorrentes, como “mais de quatro horas sem energia, com comida estragando” e apontam que a “falta de energia frequente e sem aviso causa prejuízo”. Há ainda registros que destacam a repetição do problema ao longo do tempo, indicando uma percepção de instabilidade contínua no fornecimento.
Os impactos atingem tanto o ambiente doméstico quanto o econômico, com registros de prejuízos para pequenos comerciantes e interrupções em serviços que dependem diretamente da energia elétrica. A falta de fornecimento também compromete o acesso à internet e atividades profissionais, ampliando os efeitos das interrupções em um contexto de crescente dependência de conectividade.
Dados oficiais do Procon Amazonas mostram que a Amazonas Energia figura de forma recorrente entre as empresas mais reclamadas no estado. Em levantamento divulgado em 2024, a concessionária liderou o ranking com 939 reclamações registradas, à frente de empresas de outros setores, em um universo de 3.818 queixas contabilizadas no período. Já em 2025, dados mais recentes indicam que a empresa permaneceu entre as primeiras colocadas, com 350 reclamações apenas entre janeiro e abril, mantendo-se entre as principais alvos de queixas dos consumidores no estado.







