Comunidade indígena funcionava como laboratório de drogas para traficantes, diz advogado

Descoberta de laboratório resulta na demolição de 200 barracos em comunidade no Tarumã nesta terça-feira (14);
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(Foto: Montagem - Portal Tucumã)

Manaus (AM) – Uma operação de reintegração de posse realizada na manhã desta terça-feira (14) na comunidade Jurupari, bairro Tarumã, Zona Oeste de Manaus, resultou na remoção de aproximadamente 200 famílias e gerou conflito entre os moradores e a associação proprietária do terreno. A ação, coordenada pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), foi autorizada pela 1ª Vara Federal do Amazonas.

De acordo com a SSP-AM, a intervenção visava desocupar uma área particular indígena, localizada na estrada da Vivenda Verde, onde um grupo de pessoas havia erguido barracos improvisados.

A ação foi custeada pela Associação Comunitária Jurupari (ACJ), que entrou com o pedido de reintegração na Justiça. A operação começou por volta das 6h.

Ligação com o Tráfico de Drogas

(Foto: Michel Santos – Portal Tucumã)

De acordo com o advogado da Associação Comunitária Jurupari, representante da entidade que é legítima proprietária da área, a comunidade indígena original existe no local desde 2015 e que, nos últimos dois meses, foi invadida por grupos externos de organização criminosa.

Ele ainda ressaltou que uma operação das Rondas Ostensivas Cândido Mariano (ROCAM), desarticulou um laboratório clandestino industrial de drogas no lugar.

“Essas pessoas que invadiram aqui, muito provavelmente têm relação com essa organização. O que está ocorrendo aqui está tudo dentro da mais estrita legalidade. Toda a operação está sendo acompanhada por oficiais de justiça da Justiça Federal, e os invasores estão sendo retirados.” disse.

Ele reforçou que nenhum morador antigo da comunidade foi removido, apenas os novos invasores. O advogado orientou que aqueles que alegam ter comprado os terrenos levem seus comprovantes e alegações ao processo judicial, por meio dos canais legais adequados.

Revolta e Desespero

(Foto: Michel Santos – Portal Tucumã)

E ainda, segundo relatos de moradores, eles alegam ter sido pegos de surpresa pela ação, mesmo com informações de seus advogados de que a ordem de reintegração teria sido suspensa.

Rafael dos Santos, presidente do Instituto Social Tarumã, que acompanha a situação, afirmou que as famílias não tiveram tempo de retirar seus pertences.

“De uma maneira muito rápida, os moradores não conseguiram tirar todos os seus pertences, tiveram suas casas destruídas”, disse. Ele também levantou suspeitas sobre a associação que preside a área. “Existem muitos relatos de que ela [a cacique presidente da associação] vende esses terrenos para as pessoas e as pessoas pagam, pagaram e pagam, continuam pagando por essa moradia.” destacou.

Vários moradores mostraram comprovantes de pagamento, alegando terem desembolsado valores entre R$ 10 mil e R$ 20 mil pelos lotes.

O Portal Tucumã acompanha os desdobramentos do caso.

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