Denúncia expõe lixão e suspeita contra prefeitura de Iranduba

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Lixo se acumula próximo a residências de Iranduba (Reprodução)

Manaus (AM) – A denúncia de um novo lixão a céu aberto em área urbana de Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus, trouxe à tona suspeitas de descarte irregular de entulhos com possível envolvimento da própria Prefeitura. O caso foi exposto nesta terça-feira, 07, pela vereadora Larissa Gomes (PSD), que apontou o surgimento do ponto de descarte no Residencial Dom Lopes, em meio à mata e próximo a residências. O atual prefeito de Iranduba é Augusto Ferraz (União Brasil).

Imagens divulgadas pela parlamentar mostram o acúmulo de resíduos sólidos em um terreno vizinho às casas, evidenciando um cenário de degradação ambiental dentro da zona urbana. O local já enfrenta problemas antigos, como erosões e falhas na drenagem, que tendem a se intensificar com o depósito contínuo de entulho.

Segundo a denúncia, o novo ponto de descarte teria ligação direta com a gestão do prefeito Augusto Ferraz (União Brasil), o que levanta suspeitas de crime ambiental envolvendo o poder público municipal. A situação amplia o histórico recente de críticas à destinação de resíduos sólidos na cidade.

Problema se repete e avança sobre área urbana

O cenário registrado no Dom Lopes remete ao lixão a céu aberto no Ramal do Creuza, no km 6 da rodovia AM-070, que já havia gerado repercussão. Desta vez, no entanto, o problema avança para dentro da área urbana, afetando diretamente moradores e imóveis da região.

Relatos indicam que o acúmulo de lixo se soma a um contexto de precariedade estrutural. A ausência de drenagem adequada tem provocado o avanço de erosões, aumentando o risco de danos às residências e agravando a situação das famílias que vivem no entorno.

Ao denunciar o caso, Larissa Gomes destacou que o problema não é novo e atinge diretamente a população local. “Isso aqui já não é um assunto inédito. Isso aqui é um problema de saúde pública. Um problema de ofensa à dignidade da pessoa humana e quem mora aqui tem que ter também um tratamento digno”, afirmou.

A parlamentar também criticou a atuação da gestão municipal diante do cenário. “É um serviço de porco que estão fazendo aqui. Daqui a pouco, a gente vai mostrar as imagens da Prefeitura jogando entulho aqui”, declarou, ao associar o descarte à administração local.

Licitação sob suspeita

Além da denúncia ambiental, a vereadora questionou a destinação de recursos públicos ao citar um contrato firmado após pregão eletrônico realizado em 6 de fevereiro de 2026. O processo resultou na contratação da empresa M A C Fernandes Ltda, do Rio Grande do Sul, para serviços em aparelhos de ar-condicionado da rede municipal.

O contrato tem vigência de 12 meses e valor de R$ 7.818.652,00, prevendo atendimento a até 787 equipamentos. A licitação passou a ser alvo de questionamentos após a desclassificação de concorrentes com propostas mais baratas, apesar da adoção do critério de menor preço.

Ao relacionar os gastos à situação do bairro, Larissa Gomes afirmou: “Agora, R$ 8 milhões para limpar ar-condicionado, enquanto a gente tem aqui um problema gravíssimo precisando de intervenção urgente. Porque senão esse pessoal todo vai perder casa e vai lá para a prefeitura pedir para o prefeito pagar aluguel”.

Até o momento, a Prefeitura de Iranduba não se manifestou oficialmente sobre as denúncias envolvendo o descarte de entulho no Residencial Dom Lopes. Enquanto isso, o local passa a reunir características de lixão a céu aberto, ampliando os impactos ambientais e sociais no município.

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