Manaus (AM) – Quem nunca andou por Manaus e levou um “Égua!” no meio da cara, nem que fosse de susto ou de admiração, ainda não conhece a alma do amazonense. Aqui, a língua tem sabor de tucupi, cheiro de jambu e um tempero que nem o melhor chef do mundo consegue imitar. A gente não fala — a gente se derrama.
Outro dia mesmo, lá no terminal, vi um caboco buxudo de tanto comer x-caboquinho, barrigudo feito cuié virado, dizendo que ia pegar o beco porque o busão demorava demais. “Na tora eu vou andando, mas ficar aqui nesse pitiú de peixe é que não fico!” — gritou ele, abanando o chapéu como se fosse espada contra o calor.

Eu só olhava, me divertindo com a sinfonia de frases que só o amazonense entende. No mesmo canto, duas senhoras conversavam animadas. Uma delas contava que o sobrinho quis fazer tudo na tora e agora tava tendo que se virar com as consequências. A outra só soltou um “Toma tua merenda!”, com aquele sorrisinho de quem avisa: a vida ensina, mas ensina do jeito dela.

Lá pelas bandas do bairro, sempre tem um galeroso metido a malandro, mas que no fundo é só um fuleiro com pose de valente. Quando dá ruim, vai até o tucupi de confusão e sai correndo pegando o beco, jurando que não foi com ele. É um teatro diário que só quem é daqui entende a lógica.
O vocabulário do amazonense é assim: mistura de poesia ribeirinha com gíria de beira de igarapé. Tem humor, tem veneno e tem verdade. É um idioma não oficial, mas cheio de identidade — falado com a alma e entendido com o coração. E se alguém perguntar o que isso tudo significa, a resposta é simples: Manaus é chibata, maninho! E quem não entende… que aprenda, porque aqui, até calar tem entonação.
Leia mais:
Receba notícias do Portal Tucumã no seu WhatsApp e fique bem informado!
CLIQUE AQUI: https://cutt.ly/96sGWrb






