Durante gestão David Almeida, Manaus deixa de receber mais de 700 milhões do SUS

Essa situação expõe a questão central nas políticas públicas municipais
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Foto: Arte Portal Tucumã

MANAUS – A capital amazonense com mais de 2,2 milhões de habitantes, é a única entre as dez maiores cidades do Brasil que não possui uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou Serviço de Pronto Atendimento (SPA) geridos pela Prefeitura. As duas UPAs e oito SPAs existentes na cidade são administrados pelo Governo do Estado, deixando a gestão municipal sem estruturas próprias para prestar atendimentos emergenciais.

Essa falta de unidades municipais tem custado caro para Manaus. A cidade deixa de acessar importantes repasses do Sistema Único de Saúde (SUS) para procedimentos de média e alta complexidade ambulatorial, como consultas emergenciais, exames, aplicação de medicamentos intravenosos, imobilização de fraturas e suturas.

Em 2023, o Fundo Nacional de Saúde destinou apenas R$ 66,8 milhões para Manaus nesse tipo de procedimento. Em contrapartida, cidades de porte similar, como Salvador, Fortaleza e Belo Horizonte, receberam montantes substancialmente maiores. A capital mineira, por exemplo, recebeu R$ 1,7 bilhão, 25 vezes mais do que Manaus. A disparidade continua em 2024, quando Belo Horizonte já ultrapassou a marca de R$ 1,3 bilhão, enquanto Manaus continua com valores modestos em comparação a Salvador e Fortaleza, que já receberam oito vezes mais recursos.

A principal razão para essa discrepância é a ausência de uma rede municipal de saúde adequada em Manaus. Enquanto Salvador conta com 8 hospitais e 10 UPAs, Fortaleza possui 10 hospitais e 6 UPAs, e Belo Horizonte dispõe de 12 hospitais e 9 UPAs, a capital do Amazonas não há nenhum hospital ou UPA sob a gestão da Prefeitura. Os dados são do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, e apontam que a cidade simplesmente não dispõe da infraestrutura necessária para competir por esses repasses.

Essa realidade acende um alerta crítico para a gestão municipal e estadual. Enquanto outras capitais constroem redes de atendimento capazes de captar recursos significativos, Manaus permanece limitada, sobrecarregando o sistema estadual de saúde e perdendo oportunidades de melhorar os serviços oferecidos à população. A pergunta que fica no ar é: até quando Manaus vai suportar o peso da ausência de uma rede municipal própria de saúde?

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