Manaus (AM) – A Justiça Eleitoral do Amazonas determinou a suspensão imediata da divulgação da pesquisa eleitoral AM-03377/2026, registrada pelo Instituto Veritá Ltda, que colocava a empresária Maria do Carmo Seffair (PL) na liderança da disputa pelo Governo do Amazonas nas eleições de 2026. A decisão foi assinada pela juíza Maria Benigno e publicada nesta terça-feira (9) no Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM).
A ação foi apresentada pelo Partido Social Democrático (PSD) do Amazonas contra o Instituto Veritá Ltda e o estatístico Guilherme Alvarenga Laia. Segundo a decisão, a análise dos documentos e dos dados da pesquisa apontou uma série de inconsistências que levantam dúvidas sobre a confiabilidade do levantamento, realizado entre os dias 23 e 28 de abril com uma amostra declarada de 1.220 eleitores.

Problemas nos dados da pesquisa
O principal problema identificado está relacionado aos chamados microdados da pesquisa. De acordo com o relatório técnico anexado ao processo, foram encontrados cerca de 380 pares de registros totalmente idênticos, repetidos em todos os 28 campos das entrevistas. Conforme os autos, essas duplicações representariam aproximadamente 62% da amostra informada pelo instituto, um resultado considerado incompatível com entrevistas independentes feitas com pessoas diferentes.
A decisão destaca que o volume de respostas repetidas sugere a possibilidade de reprodução artificial de informações. O documento técnico utilizado no processo afirma que a existência de centenas de entrevistas exatamente iguais seria estatisticamente improvável em uma pesquisa realizada de forma regular, o que pesou na concessão da medida de urgência para interromper a divulgação dos resultados.
A investigação também apontou outras inconsistências. Embora o registro da pesquisa informe que a coleta de dados começou em 23 de abril, os documentos analisados indicariam entrevistas registradas apenas a partir do dia 24. Além disso, o Instituto Veritá declarou que realizou auditoria telefônica em 20% das entrevistas, mas, segundo os autos, a planilha de microdados não continha números de telefone que permitissem verificar se essas auditorias realmente ocorreram. O parecer técnico ainda questiona aspectos da metodologia utilizada e da margem de erro divulgada.
Além de suspender a divulgação da pesquisa, a Justiça Eleitoral estabeleceu multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento da decisão. O processo também será encaminhado ao Ministério Público Eleitoral e ao Conselho Regional de Estatística para apuração das possíveis irregularidades apontadas. Divulgado no fim de abril, o levantamento colocava Maria do Carmo Seffair à frente do senador Omar Aziz (PSD) na disputa pelo governo estadual e incluía ainda os nomes do ex-prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), e do deputado estadual Roberto Cidade (União Brasil).







