Fotos: Yghor Palhano e Daniel Brandão
Apesar do brilho e a magia proporcionada pelo Festival Folclórico de Parintins, os bois Caprichoso e Garantido estão enfrentando uma intensa batalha na Justiça do Trabalho nos bastidores. Foi determinado que propriedades das agremiações sejam colocadas em leilão com o intuito de saldar dívidas trabalhistas.
Recentemente o juiz Izan Alves Moreira Filho, titular da 1ª Vara da Justiça do Trabalho de Parintins, autorizou que o curral Zeca Xibelão e a Escolinha de Artes Irmão Miguel de Pascale, ambos do Boi Caprichoso, sejam colocados em leilão para quitar uma dívida no valor de R$ 4,1 milhões.
O leilão das propriedades do Caprichoso será realizado nos dias 4 de julho, 18 de setembro e 20 de novembro de 2020, às 9h30, através da internet. Em 2018 a dívida foi avaliada em R$ 2,4 milhões, que deveria pelo ex-presidente do boi azul, Babá Tupinambá, nos próximos três anos.

Entretanto, o curral e a escolinha foram colocadas como garantia da negociação, no entanto, o ex-presidente não realizou o pagamento e o valor da dívida subiu. Na época, em resposta ao Portal Tucumã, Babá contou que a dívida não começou em sua gestão, mas sim, na época de outros presidentes.
“Nossa gestão pagou a primeira parcela no valor de quase R$ 1 milhão e ficou duas parcelas a serem pagas. A segunda parcela venceu em 2019, e a outra teria que ser paga em 2020. Nós não conseguimos pagar a segunda parcela devido perda de patrocínio e o atraso ocasionou essa decisão judicial do leilão. São dívidas herdadas de outros presidentes, infelizmente aconteceu, mas nós honramos a primeira, a terceira já não era mais na nossa administração”, afirmou.

O Curral Zeca Xibelão é considerado um dos maiores patrimônios do Boi Caprichoso, no local é realizado ensaios do bumbá durante o período do Festival Folclórico de Parintins, além de realizar eventos após o festival.
A Escolinha de Arte Irmão Miguel de Pascale é um projeto social do boi azul e trabalha com crianças e adolescentes oferecendo aulas de música, dança, desenho e etc.
Leilão na Baixa do São José
Por outro lado, o Boi Garantido também enfrenta leilão na Justiça do Trabalho. O juiz Izan Alves Moreira Filho autorizou que dois imóveis do boi vermelho, o prédio da administração do bumbá e um galpão, onde são confeccionadas as alegorias, seja alvos de leilão.
As duas estruturas somam 10,6 mil metros quadrados, elas estão sendo avaliadas em R$ 2,6 milhões, com lance inicial de R$ 1,3 milhão. O magistrado marcou o leilão para o dia 24 de julho, também na internet.

Segundo ele, a dívida é proveniente de acordo feito pela agremiação em 2018 com a Justiça do Trabalho, no entanto, a parcela venceu em 2019 e não foi paga. O Boi Garantido não conseguiu levantar receita em 2020 devido a pandemia da Covid-19.
Live
Caprichoso e Garantido participaram de uma live no Bumbódromo, em Parintins, no último sábado (27), data que seria a segunda noite do festival 2020. O evento contou com a participação de itens oficiais e teve transmissão da TV A Crítica para todo o Amazonas.
Atual campeão da festa, o Garantido traz o tema ‘Somos o Povo da Floresta’, enquanto o Caprichoso defende o tema ‘Terra: Nosso Corpo, Nosso Espírito’.
O evento segue adiado até segunda ordem, porém, o Governo do Amazonas, junto com a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC), estudam a possibilidade em realizar o festival no segundo semestre do ano, dependendo de como a pandemia vai se comportar.
Resposta
O presidente do Garantido, Fábio Cardoso, informou por meio de nota que vai recorrer da decisão da Justiça do Trabalho. Ele diz que desde 2018 vem cumprindo todos os compromissos firmados sobre as causas trabalhistas.
“Desde 2018, o Garantido honrou mais de R$ 1,3 milhão em acordos na Justiça do Trabalho, sendo que ainda restam cerca de R$ 2,2 milhões a serem sanados. Perante a Nação Vermelha e Branca e amantes do Festival de Parintins, ressaltamos que nossa Diretoria Jurídica já está trabalhando nos recursos necessários para impedir toda e qualquer perda patrimonial”, disse.
Além disso, o bumbá espera a chegada das cotas de patrocínio para ajudar no pagamento da dívida. “A agremiação ressalta porém, a necessidade de cumprimento das demais obrigações junto a Justiça do Trabalho, assim logo receba as cotas de patrocínio para o Festival de Parintins, como ocorre anualmente”, explicou.
O Portal Tucumã entrou em contato a Associação Folclórica Boi-Bumbá Caprichoso para saber um posicionamento da agremiação sobre o assunto. A assessoria do bumbá informou que o presidente Jender Lobato está apurando a situação e vai fazer um pronunciamento em breve.
Por João Paulo Castro
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