Manaus (AM) – A saída do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), do comando do Executivo municipal nesta terça-feira, 31, ocorreu com baixa presença de vereadores no plenário da Câmara Municipal de Manaus. O ato marcou a renúncia do cargo pelo prefeito para disputar o Governo do Amazonas nas eleições gerais de 2026, dentro do prazo legal de desincompatibilização.
O painel de presença da sessão registrou 17 vereadores presentes e 24 ausentes, sem justificativas formais, em um total de 41 parlamentares. A sessão foi realizada durante a cerimônia de transmissão de cargo ao vice-prefeito Renato Júnior (Avante), que assumiu a chefia do Executivo municipal. Apesar da ausência parlamentar, o plenário estava ocupado por público e aliados políticos presentes ao evento.
O cenário ocorre após críticas de vereadores de oposição ao uso da estrutura do Legislativo para a realização da cerimônia. Parlamentares vinham questionando a realização do ato na Casa, apontando possível desvio de finalidade e utilização institucional em um contexto político.

Apoio a Eduardo Braga é condicionado
Durante o discurso, David Almeida sinalizou apoio para a disputado do senado nas eleições de outubro, mas condicionou esse apoio. “Só vamos apoiar 100% o senador Eduardo Braga [MDB] se ele nos apoiar 100%”, declarou. O posicionamento ocorre após o lançamento do nome de Marcos Rotta (Avante) como pré-candidato ao Senado. A eleição de 2026 prevê duas vagas para o cargo no Amazonas.
Na mesma cerimônia, Almeida afirmou que Renato Júnior assume a prefeitura com autonomia. “A partir de agora, o prefeito Renato Júnior assume o comando da cidade com autonomia total”, disse. O agora ex-prefeito também declarou que será “apenas um conselheiro, um ajudador”, sem “dividir o comando”. Ainda durante o discurso, afirmou que o novo prefeito “exonera, ele nomeia, ele escolhe a equipe” e que “a cidade fica em boas mãos”.
Aumento de patrimônio marca trajetória de Renato Júnior
Dados declarados à Justiça Eleitoral indicam variação no patrimônio de Renato Júnior entre 2018 e 2024. No período, os bens informados passaram de R$ 30 mil para cerca de R$ 3,15 milhões, incluindo participação em empresas, imóvel residencial e outros ativos registrados em declaração oficial.

O atual prefeito também aparece citado em inquérito da Polícia Federal relacionado à Operação Entulho, que apura suspeitas de irregularidades em contratos públicos. A menção ocorre no contexto de investigações conduzidas pela corporação, sem registro, até o momento, de decisão judicial definitiva vinculada ao caso.






