Brasília (DF) – O tenente-coronel Hélio Ferreira Lima, ex-comandante da 3ª Companhia de Forças Especiais de Manaus, do Comando Militar da Amazônia (CMA), confessou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que foi o autor de um dos documentos elaborados no contexto da tentativa de golpe de Estado após as eleições presidenciais de 2022. A revelação ocorreu durante audiência da Primeira Turma do STF, realizada nesta segunda-feira (28), por videoconferência.
O militar, que foi preso pela Polícia Federal durante a Operação Contragolpe no dia 19 de julho, admitiu ter sido o responsável por redigir o material que propunha a prisão de ministros do Supremo, quando atuava na Divisão de Inteligência do Exército.
Hélio Ferreira Lima foi exonerado do cargo em fevereiro de 2025, após o avanço das investigações da PF sobre o suposto plano golpista. Segundo o Ministério Público, ele integra o chamado núcleo 3 da trama, que é composto por militares das forças especiais, conhecidos como “kids pretos”, apontados como responsáveis pelo chamado plano “Punhal Verde e Amarelo”. O documento previa prisões, sequestros e até assassinatos de autoridades, como o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes.
Durante seu depoimento, o militar confirmou a autoria intelectual do material. “Confirmo, Excelência. Na verdade, esse arquivo digital nada mais retrata do que um pensamento meu que foi digitalizado. Um compilado de dados, um estudo de situação meu, um pensamento, uma análise de riscos que eu fiz e, por costume próprio, eu resolvi digitalizar”, declarou.
Apesar da gravidade do conteúdo, Hélio Ferreira Lima afirmou que não compartilhou o material com outros integrantes da tropa e se disse arrependido. “Hoje me arrependo de ter digitalizado isso”, completou.
O arquivo foi encontrado pela PF em um pen drive apreendido na casa de outro militar, durante as buscas da operação realizada em 2023. O conteúdo do plano, intitulado “Desenho Op Luneta”, propunha o uso da força para “restabelecer a lei e a ordem por meio da retomada da legalidade e da segurança jurídica e da estabilidade institucional”.
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