Manaus (AM) – A Refinaria da Amazônia (Ream), operada pelo Grupo Atem, anunciou nesta quinta-feira, 02, um novo aumento no preço da gasolina vendida às distribuidoras, elevando o valor para R$ 4,17 por litro, sem tributos, com vigência a partir desta sexta-feira, 03. O reajuste representa uma alta de aproximadamente 3,5% em relação ao último patamar e se soma ao acumulado de 33% desde o início de março de 2026, configurando uma sequência expressiva de ajustes no mês.
Dados internos da refinaria indicam que, em 3 de março, o preço da gasolina comum era de R$ 3,2450 por litro. Em apenas dezoito dias, até 21 de março, o valor alcançou R$ 4,3240, antes de sofrer ajustes que levaram ao preço anunciado nesta quinta. A variação considera valores sem tributos, o que evidencia pressão direta na origem do produto, impactando toda a cadeia de distribuição.
A Refinaria da Amazônia é controlada pelo Grupo Atem desde dezembro de 2022, quando a unidade foi privatizada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Antes da venda, a refinaria, então chamada Refinaria Isaac Sabbá (Reman), pertencia à Petrobras. Desde a conclusão da operação, o Grupo Atem passou a definir integralmente a produção, importação e política de preços dos combustíveis comercializados na região, operando sob a marca Ream.

Escalada recente e histórico de variações
O movimento de alta interrompeu um período de relativa estabilidade observado ao longo de 2025, quando o preço permaneceu em torno de R$ 3,1513, sem variações por semanas consecutivas. A série histórica, que abrange desde dezembro de 2022, mostra que o menor valor registrado após a privatização ocorreu em 30 de junho de 2023, quando a gasolina foi comercializada a R$ 2,6656 na modalidade EXA. Comparado ao pico recente, o aumento acumulado ultrapassa 62%, destacando a intensidade das variações no período.
Logo após o início da operação privada da refinaria, houve um aumento inicial no começo de 2023, seguido de queda gradual ao longo do primeiro semestre. O preço atingiu R$ 3,6439 em janeiro de 2023, antes de recuar até o mínimo histórico nos meses seguintes. O levantamento também evidencia a manutenção constante da diferença entre as modalidades EXA e LPA, fixada em R$ 0,0023 por litro, mesmo diante de oscilações significativas no preço da gasolina.
Manaus entre os preços mais altos do país
Levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), com base na Síntese Semanal de Preços dos Combustíveis (Edição 10/2026), mostra que o impacto dos reajustes se reflete diretamente no consumidor. Na semana de 1º a 7 de março, o preço médio da gasolina comum (Gasolina C) em Manaus foi de R$ 6,97 por litro, sem variação em relação à semana anterior.
Mesmo sem alta no período, Manaus figura entre as cidades com gasolina mais cara do país. Em Belém, o litro era vendido a R$ 5,93, enquanto em São Paulo a média foi R$ 6,17 e em Belo Horizonte, R$ 5,86. Entre as capitais analisadas, Manaus apresentou o segundo maior preço, atrás apenas de Porto Velho, com litro a R$ 7,04.
O levantamento também aponta que o etanol hidratado foi vendido a R$ 5,49, com variação semanal nula e alta de 1,93% em 12 meses. Em outras capitais, como Cuiabá e Campo Grande, os preços foram R$ 4,70 e R$ 4,18, respectivamente, evidenciando diferenças regionais relevantes. O diesel B S10 registrou média de R$ 6,55, mesmo após queda de 4,41% em 12 meses, enquanto em capitais como Recife e São Luís, os valores foram R$ 5,79 e R$ 5,84.
O gás de cozinha (GLP P-13) em Manaus chegou a R$ 125,74, com leve alta semanal de 0,19%. Em contraste, no Rio de Janeiro, o botijão custou R$ 96,08, e em Recife, R$ 95,33, aumentando a diferença em cerca de R$ 30 por botijão.
Etanol no Amazonas atinge recorde histórico
Dados do Painel Dinâmico de Preços de Revenda e Distribuição de Combustíveis da ANP, atualizados até 27 de março de 2026, mostram que o etanol hidratado no Amazonas atingiu R$ 5,69 por litro, superando o recorde anterior de R$ 5,52 registrado em 2022.
A evolução indica uma escalada acelerada: em 2025, o preço girava em torno de R$ 5,01, enquanto em 2023 chegou a cair para R$ 3,74, antes de retomar trajetória contínua de alta. A diferença entre preço de distribuição (R$ 4,39) e revenda (R$ 5,69) mostra um aumento de R$ 1,30 por litro, frente a R$ 0,27 em 2021, evidenciando concentração de margem ou repasse assimétrico de custos.
Outro indicador relevante é a paridade Etanol/Gasolina, que atingiu 78%, acima do patamar considerado vantajoso (70%), tornando o biocombustível praticamente inviável economicamente para os veículos da frota local. A série histórica confirma que momentos de competitividade foram breves, em 2024, e que o efeito atual mantém o etanol mais caro que a gasolina, apesar de queda nos custos de distribuição.







