Manaus (AM) — A densa fumaça que cobriu o bairro Santa Etelvina na manhã desta segunda-feira (18) não foi causada por um simples incêndio, mas sim por um ato de protesto entre moradores.
Cerca de 500 famílias que ocupavam um terreno público atearam fogo em áreas de mata após terem suas casas demolidas durante uma operação de reintegração de posse realizada pela Prefeitura de Manaus.
Inicialmente, acreditava-se que a fumaça vinha de um incêndio em uma fábrica de isopor, mas a reportagem do Portal Tucumã descobriu que se tratava de uma manifestação de moradores desesperados.
Moradores ocuparam área em julho
O terreno, adquirido pela Prefeitura em 2024 para a construção de unidades habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida, foi ocupado por famílias em situação de vulnerabilidade no dia 7 de julho deste ano.
Na época, após diálogo com a Secretaria Municipal de Habitação (SEMAF), os moradores haviam deixado o local pacificamente. Porém, em agosto, novas famílias retornaram e reconstruíram suas casas, alegando não terem para onde ir.

Nesta segunda, uma força-tarefa da Prefeitura, incluindo agentes da SEMAF e da Guarda Municipal, chegou ao local com máquinas para demolir as construções.
“Onde vou dormir hoje?”
O subsecretário da SEMAF, Zudi Bonatz, explicou que a área será usada para construir 284 casas populares e que as famílias removidas serão cadastradas para programas sociais. Entretanto, durante a operação, muitos moradores assistiram impotentes à destruição de seus lares.
O clima de revolta tomou conta do local. Lucilene, uma mulher indígena de 56 anos que sofre de diabetes, contou com lágrimas nos olhos que pagava R$ 650 de aluguel e agora não tem para onde ir. “Minha casa acabou de ser demolida. Onde vou dormir hoje?“, questionou.
Outros moradores, como Sivânia e sua família, perderam móveis e eletrodomésticos que ficaram expostos no terreno após a demolição.
Terreno abandonado há 40 anos
Kleber Evangelista, líder comunitário, criticou a forma como a Prefeitura tratou a situação. “Esse terreno estava abandonado há 40 anos. Agora que ocupamos para ter um teto, nos tratam como criminosos”, desabafou.

Ele destacou que muitas das famílias removidas já estão há anos em listas de espera por moradia popular, sem qualquer solução concreta por parte do poder público.
Apesar das promessas da Prefeitura de incluir as famílias em programas sociais, os moradores exigem medidas imediatas, como aluguel social ou reassentamento emergencial. Enquanto isso, a cena de destruição e o protesto com fogo chamam atenção para a crise habitacional que persiste em Manaus, onde milhares ainda lutam por um lugar digno para morar.
O Portal Tucumã acompanha a situação de perto e mais informações serão divulgadas a medida que estiverem disponíveis.
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