Manaus (AM) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliou a vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro na corrida presidencial de 2026, segundo a 2ª rodada da Pesquisa Meio/Ideia divulgada após entrevistas realizadas entre os dias 23 e 27 de maio. O levantamento nacional, registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-02918/2026, mostra Lula com 46,5% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 41,4% de Flávio. O resultado interrompe uma sequência de empates técnicos observados em levantamentos anteriores e ocorre em meio ao desgaste provocado pelo caso envolvendo o Banco Master.
A pesquisa aponta que o principal fator associado à queda do senador é a repercussão do áudio em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo o levantamento, 60,4% dos brasileiros afirmaram ter ouvido falar do episódio, enquanto 44% disseram que passaram a ter uma opinião pior sobre o senador após a divulgação do caso. O impacto foi identificado principalmente entre jovens, eleitores de centro-direita e pessoas com renda superior a cinco salários mínimos.
Na modalidade espontânea, quando o eleitor cita um nome sem receber lista prévia de candidatos, Lula aparece com 33% das menções, enquanto Flávio Bolsonaro soma 18,7%. O levantamento utilizou entrevistas telefônicas com técnica de discagem aleatória de números, conhecida como RDD, além de amostragem com Probabilidade Proporcional ao Tamanho (PPT), mecanismo que distribui a seleção conforme o peso populacional dos municípios. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Os dados também indicam que o episódio do Banco Master produziu forte repercussão institucional. De acordo com a pesquisa, 48% dos entrevistados consideram o caso grave e defendem investigação da Polícia Federal e do Ministério Público. Outros 57% afirmaram concordar com a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as ligações políticas envolvendo o banco.

Escândalo trava crescimento da oposição
Embora o levantamento mostre Lula em posição mais confortável na disputa direta contra Flávio Bolsonaro, os números revelam um cenário de forte polarização e rejeição elevada entre os principais nomes nacionais. O presidente aparece como o mais rejeitado entre os citados, com 46,7%, seguido por Fernando Haddad, com 42%, e Flávio Bolsonaro, com 39,8%. A pesquisa ainda aponta que 62% dos eleitores afirmam já ter decidido o voto para 2026 e dizem que não pretendem mudar de posição até outubro.
O estudo também identificou uma vulnerabilidade no campo governista em cenários sem a presença de Lula. Em uma eventual disputa de segundo turno entre o ministro Fernando Haddad e Flávio Bolsonaro, há empate técnico, com Haddad registrando 42% e Flávio 41,5%. No primeiro turno estimulado, Haddad aparece com 36,5%, enquanto Flávio marca 32,7%, indicando uma diferença menor do que a observada nos cenários com Lula candidato.
A avaliação do governo federal segue marcada por divisões regionais e temáticas. Apesar da vantagem eleitoral de Lula, 51,4% dos entrevistados desaprovam a atual gestão. Na avaliação qualitativa, 40,7% classificam o governo como ruim ou péssimo, enquanto 35,6% o consideram ótimo ou bom. Segurança pública e economia foram apontadas como as áreas mais problemáticas, ambas concentrando os maiores índices de avaliação negativa.
Regionalmente, o Nordeste permanece como a principal base de apoio do presidente, com 57,3% de aprovação. Já no Sul, a resistência à reeleição é predominante: 74,1% afirmaram que Lula não merece um novo mandato. O levantamento ainda mostra que outros nomes da direita não conseguem superar o desempenho de Flávio Bolsonaro quando ele aparece fora das simulações eleitorais.
A pesquisa identificou ainda uma percepção de que a Copa do Mundo de 2026 poderá interferir no ambiente político. Segundo o levantamento, 45% dos brasileiros acreditam que o evento esportivo fará a opinião pública esquecer o escândalo do Banco Master. Mesmo assim, o eleitorado demonstrou maior interesse na disputa presidencial do que na campanha da Seleção Brasileira: 21,3% disseram estar totalmente animados para votar em 2026, enquanto 18,8% afirmaram ter o mesmo entusiasmo em relação à Copa do Mundo.






