Manaus (AM) – Um levantamento da Polícia Civil do Rio de Janeiro revelou que nove dos mortos na Operação Contenção, realizada na última terça-feira (28) nos complexos do Alemão e da Penha, eram do Amazonas e tinham envolvimento com o Comando Vermelho (CV), segundo informações oficiais divulgadas neste domingo (2).
Os nomes foram divulgados em um relatório da corporação, consolidado no domingo (2), com base em dados oficiais e em um levantamento da Ouvidoria-Geral da Defensoria Pública. O documento aponta que mais de 95% dos mortos tinham ligação comprovada com o CV, e 54% eram de fora do estado.
Amazonenses entre os mortos
Dos nove suspeitos do Amazonas, seis tiveram os nomes confirmados até agora: Cleideson Silva da Cunha (“Loirinho”), Waldemar Ribeiro Saraiva (“Fantasma”), Douglas Conceição de Souza (“Chico Rato”), Francisco Myller Moreira da Cunha (“Gringo” ou “Suíça”), Hito José Pereira Bastos (“Dimas”) e Lucas Guedes Marques. Outros três nomes ainda não foram oficialmente divulgados pelas autoridades fluminenses.
“Loirinho”

Conhecido por sua atuação em assaltos e homicídios, Cleideson Silva da Cunha, o ‘Loirinho’, era considerado de alta periculosidade. Segundo a polícia, participou de execuções marcadas por extrema violência, como um assassinato em um condomínio de Manaus no qual a vítima foi atingida por mais de 40 disparos. Também respondia por roubos a casas lotéricas.
“Fantasma”

Com passagens por tráfico de entorpecentes e associação criminosa, Waldemar Ribeiro Saraiva, vulgo ‘Fantasma’ era investigado por movimentar drogas e armas entre estados da região Norte. Ele era apontado como intermediário de repasses do CV dentro do Amazonas.
“Chico Rato”

Apontado como um dos principais líderes do tráfico no bairro Tancredo Neves, em Manaus, Douglas Conceição de Souza, conhecido como ‘Chico Rato’ possuía três anotações criminais e um mandado de prisão ativo.
Condenado em 2019 a 40 anos de prisão pelo assassinato dos irmãos Isaías e Hilmes Rabelo, ele fugiu do regime semiaberto e se aliou ao Comando Vermelho, ampliando sua influência para fora do Amazonas. Investigações da DEHS indicam que mantinha contato direto com João Branco, ex-líder da Família do Norte (FDN).
“Gringo”

Francisco Myller Moreira da Cunha, era natural de Eirunepé (AM), Gringo completou 32 anos um dia antes da operação. Estava foragido desde abril de 2024, após condenação a 34 anos e 10 meses de prisão pelos crimes de homicídio e organização criminosa.
De acordo com o inquérito, ele participou da execução de Samuel Paz de Andrade, morto dentro de casa em agosto de 2021, em um crime motivado por disputa entre facções.
“Dimas”

Hito José Pereira Bastos tinha registros por homicídio, tráfico de drogas e atuava como braço operacional do grupo comandado por Chico Rato em Manaus, segundo investigações da polícia amazonense.
Lucas Guedes Marques

A Polícia Civil informou que Lucas Guedes tinha histórico criminal relevante, embora sem detalhes divulgados até o momento. Ele estaria associado a ações de apoio logístico ao CV no Rio.
Balanço geral da operação
De acordo com o levantamento da Ouvidoria-Geral da Defensoria Pública, com base em dados oficiais da Polícia Civil, 115 dos 117 mortos na Operação Contenção foram identificados até o momento.
O relatório aponta que 97 possuíam ficha criminal, 59 tinham mandado de prisão em aberto, e outros 17 não tinham registros anteriores, destes, 12 apresentavam indícios de envolvimento com o tráfico em publicações nas redes sociais.
A lista mostra que 62 eram de fora do Rio de Janeiro, distribuídos da seguinte forma:
19 do Pará, 9 do Amazonas, 12 da Bahia, 4 do Ceará, 2 da Paraíba, 1 do Maranhão, 9 de Goiás, 1 do Mato Grosso, 3 do Espírito Santo, 1 de São Paulo e 1 do Distrito Federal.
DOCA – Apontado como líder do CV

O principal alvo da ação, Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, apontado como líder do Comando Vermelho no Rio, continua foragido seis dias após a deflagração da operação.
Diante da repercussão e de questionamentos sobre a conduta das forças de segurança, a OAB-RJ anunciou a criação de um observatório especial para acompanhar a apuração sobre o cumprimento da lei durante a Operação Contenção.
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