‘Motorista fake’: trabalhadores acusam presidente afastado de não representar a categoria em Manaus

Em entrevista ao Portal Tucumã, os motoristas relataram um histórico de perseguição, intimidação e enriquecimento ilícito dos dirigentes.
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(Foto: Elias Fonseca/Portal Tucumã)

Manaus (AM) – Trabalhadores do transporte especial realizaram um protesto na manhã desta terça-feira (8) contra o presidente afastado do Sindicato dos Trabalhadores e Empresas de Transporte Especial, Turismo, Fretamento, Locadora e Carros de Valores Intermunicipal de Manaus (Sindespecial), William Enock de Sousa Siqueira, e seu sobrinho, Gabriel Enock Marinho Siqueira.

Em entrevista ao Portal Tucumã, os motoristas relataram um histórico de perseguição, intimidação e enriquecimento ilícito dos dirigentes. O motorista Dene Heverton Ribeiro afirmou que a diretoria afastada esteve à frente do sindicato por 14 anos, sem realizar melhorias para a categoria. Segundo ele, a direção “vendia” convenções e não defendia os interesses dos trabalhadores.

“Decidimos mudar essa diretoria que estava aí há 14 anos. Vem fazendo o mesmo do mesmo, não faz nada pela categoria. Um presidente, um vice-presidente vendido, vende a nossa convenção. Por isso decidimos formar a chapa 2 e fazer oposição. Desde então, estamos sendo perseguidos”, afirmou Dene.

Segundo o trabalhador, sua demissão foi motivada por represálias políticas: “Quando expressei minha opinião dentro da empresa, ele [Gabriel Enock] pediu minha cabeça ao patrão. Fui sumariamente demitido porque reivindiquei horas extras e aumento na cesta básica. Isso é perseguição política.”

Dene também apontou que, mesmo desempregado há 15 dias, continua lutando por uma mudança real na representação sindical. “Não luto por mim, mas por uma categoria sofrida há 12 anos. Quando essa diretoria entrou, não tinham nada. Hoje têm patrimônio que não condiz com os salários recebidos”, denunciou.

Trabalhadores dissem serem perseguidos e demitidos (Foto: Elias Fonseca/Portal Tucumã)

Em março deste ano, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou o afastamento imediato de William Enock e Gabriel Enock por suspeitas de fraudes nas eleições do sindicato. A decisão foi tomada após a sede do Sindespecial ter sido invadida e destruída, o que dificultou a atuação da junta interventora. O TRT também determinou que novas eleições sejam realizadas em até 60 dias.

Após o afastamento, os trabalhadores relataram melhorias na atuação do sindicato. “Hoje, com a nova gestão, o sindicato funciona de verdade. Os colaboradores estão sendo atendidos. Antes, o local era usado para beneficiar um pequeno grupo”, disse Dene.

Ele também acusou os ex-dirigentes de furtar documentos e equipamentos do sindicato. “Eles arrombaram e furtaram tudo, inclusive os documentos. O patrimônio foi levado. Isso aqui era uma quadrilha”, completou.

Além das denúncias administrativas, os trabalhadores questionam a legitimidade da representatividade de Gabriel Enock. “Ele se diz motorista, mas nunca dirigiu um ônibus. Não representa nossa categoria. É um motorista fake”, declarou Dene.

Outros trabalhadores também relataram perseguições semelhantes, como demissões arbitrárias e tentativas de silenciamento. Segundo eles, a pressão vinha tanto da direção sindical quanto dos patrões, num esquema de opressão contra quem tentava reivindicar direitos.

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