Obra de R$ 300 milhões lançada por Omar Aziz segue abandonada e sob suspeita

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Manaus (AM) – Prometida em 2012 como um dos maiores projetos educacionais da história do Amazonas, a Cidade Universitária da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em Iranduba, tornou-se alvo de denúncias, investigações e questionamentos sobre o uso de recursos públicos. Mais de uma década após o lançamento da obra pelo então governador Omar Aziz (PSD), atual senador e pré-candidato ao Governo do Amazonas, o empreendimento permanece abandonado e sem cumprir a função para a qual foi criado.

Anunciada com investimento estimado em R$ 300 milhões, a Cidade Universitária deveria reunir diversas unidades da UEA em um grande campus integrado, voltado ao ensino, à pesquisa e à inovação. No entanto, documentos produzidos pelo Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM) e pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) apontam uma série de problemas na condução do projeto, que acabaram contribuindo para a paralisação da obra.

Mais de uma década após o anúncio, a Cidade Universitária permanece sem conclusão (Reprodução)

Suspeitas sobre contratos milionários

Uma investigação aberta pelo Ministério Público de Contas em 2018 aponta indícios de irregularidades em contratos firmados para estudos, projetos e execução da Cidade Universitária. Entre os problemas citados estão suspeitas de pagamentos por serviços que não teriam sido executados, contratação de atividades semelhantes mais de uma vez e falhas em processos de licitação.

O documento também destaca que empresas investigadas na Operação Lava-Jato participaram da disputa para executar a obra. Segundo o MPC, a concorrência teve baixa competitividade, o que levantou dúvidas sobre a transparência do processo.

Operação Lava-Jato foi mencionada em documentos (Reprodução)

Outro ponto levantado pelos órgãos de controle envolve os estudos ambientais contratados para viabilizar o empreendimento. De acordo com a investigação, milhões de reais foram gastos em estudos que posteriormente passaram a ser questionados e não conseguiram evitar problemas que resultaram na interrupção da obra. Somados, os contratos analisados pelo Ministério Público de Contas ultrapassam R$ 200 milhões. Apesar do alto volume de recursos empregados, o projeto nunca foi concluído.

Obra foi barrada pela Justiça

Além dos questionamentos sobre os contratos, a Cidade Universitária enfrentou problemas ambientais que acabaram levando a Justiça Federal a determinar a suspensão das obras. A decisão foi tomada após uma ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF), que apontou falhas no licenciamento ambiental do empreendimento.

Relatório do Tribunal de Contas mostra que a área destinada ao projeto permanece abandonada há anos. O documento também aponta a necessidade de apurar a responsabilidade dos órgãos envolvidos pela paralisação de uma obra que deveria beneficiar milhares de estudantes e fortalecer o ensino superior no Amazonas.

Documentos oficiais apontam questionamentos sobre contratos e estudos ambientais (Reprodução)
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