Brasil – Um dos seis pacientes que contraíram o vírus HIV durante transplantes de órgãos no Rio de Janeiro foi internado. A informação foi confirmada pela Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro nesta segunda-feira (21). A pessoa está recebendo tratamento no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), uma referência no tratamento de doenças infecciosas no Brasil.
Além do atendimento hospitalar, a Secretaria Estadual de Saúde informou que tanto os pacientes infectados quanto seus familiares estão recebendo apoio psicológico e acompanhamento ambulatorial. No entanto, a Fiocruz decidiu não se pronunciar sobre a internação.
Este caso, considerado inédito no histórico de transplantes no estado, envolve seis pacientes que testaram positivo para HIV após receberem órgãos de dois doadores infectados. Desde 2006, mais de 16 mil transplantes já foram realizados no Rio de Janeiro, tornando esse incidente um fato sem precedentes na história do serviço.
As primeiras investigações, conduzidas pelo Hemorio, indicaram que, no momento, não há mais amostras de sangue infectadas por HIV nos doadores de órgãos. Contudo, uma nova bateria de testes será realizada para garantir a segurança dos procedimentos futuros.
Prisões e investigação sobre laudos falsos
O caso levou à prisão de Adriana Vargas dos Anjos, coordenadora técnica do Laboratório PCS Saleme, suspeita de envolvimento na emissão dos laudos falsos que resultaram nas infecções. Ela foi detida no último domingo (20), em Belford Roxo, durante uma operação da Delegacia do Consumidor (Decon).
De acordo com Ivanilson Santos, técnico de laboratório também preso em conexão com o caso, Adriana teria ordenado a redução no controle de qualidade dos testes, visando economizar. Essa mudança operacional fez com que a análise das amostras, que deveria ser realizada diariamente, passasse a ser feita apenas uma vez por semana.
Adriana nega as acusações, mas, ao ser questionada por jornalistas sobre a falha que resultou na infecção dos pacientes, ela respondeu de maneira vaga: “Humana.” Sobre quem seria o responsável direto pela situação, limitou-se a dizer: “Quem realizou o exame já está sendo punido”.
A Polícia Civil apreendeu a máquina usada para realizar os testes de HIV no Laboratório PCS Saleme, que continua sob investigação. O delegado Wellington Pereira, responsável pelo caso, segue apurando as responsabilidades e eventuais desdobramentos.
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