Manaus (AM) – A mais recente pesquisa nacional de opinião pública aponta desgaste do governo federal, percepção negativa da economia e um cenário eleitoral competitivo para 2026, com empate técnico no segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. O levantamento, realizado entre 3 e 7 de abril de 2026 com 1.500 entrevistas por telefone, indica que a avaliação do governo segue pressionada por fatores econômicos e sociais.
Os dados mostram que 51% dos brasileiros desaprovam a maneira como Lula conduz o governo, enquanto 45% aprovam. Na avaliação qualitativa, 46,4% classificam a gestão como ruim ou péssima, contra 32,2% que a consideram ótima ou boa. Esse cenário se reflete na percepção sobre continuidade: 51,5% dos entrevistados afirmam que o presidente não merece um novo mandato.
A pesquisa destaca a economia como principal fator de desgaste político. Segundo o levantamento, 70,4% dos brasileiros percebem aumento no custo de vida no último ano, enquanto 40% relatam maior nível de endividamento em relação a 2025. Para 74,7% da população, temas como custo de vida e dívidas serão decisivos na escolha do voto presidencial. A gestão econômica do governo é avaliada como ruim ou péssima por 44,6% dos entrevistados.

Disputa presidencial e percepção institucional
No cenário eleitoral, a intenção de voto espontânea coloca Lula com 32,6%, seguido por Flávio Bolsonaro com 19,4%, indicando crescimento do senador ao longo dos últimos meses. Em simulações de primeiro turno, Lula aparece com 40,4%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 37%, configurando disputa próxima dentro da margem de erro de 2,5 pontos percentuais.
O dado mais sensível do levantamento está na projeção de segundo turno, que indica empate técnico: Flávio Bolsonaro soma 45,8%, contra 45,5% de Lula. O senador apresenta vantagem entre homens (57% contra 37,4%) e evangélicos (50,4% contra 43,1%), enquanto Lula mantém melhor desempenho entre mulheres (45,5%) e católicos (47,7%). Em outro cenário, o governador Ronaldo Caiado aparece com 39%, frente a 45% de Lula no segundo turno.
Além da disputa eleitoral, o levantamento revela ceticismo em relação às instituições democráticas. Para 42,5% dos entrevistados, a principal ameaça à democracia é a “concentração de poder no Judiciário”, superando preocupações com corrupção política (16,5%) e polarização (13%). Sobre os atos de 8 de janeiro, 53% apoiam algum tipo de anistia, sendo 32% favoráveis ao perdão amplo, enquanto 41% rejeitam qualquer anistia.
No campo social, a pesquisa aponta a violência contra a mulher como tema central. Embora 85% afirmem conhecer o termo feminicídio, 77,5% percebem aumento dos casos nos últimos 12 meses. A avaliação da atuação do governo na segurança pública também é negativa: 53,9% classificam a gestão como ruim ou péssima nesse aspecto.
Com margem de erro de 2,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, o levantamento indica um cenário de pressão econômica, polarização política e disputa acirrada, em que temas cotidianos, como custo de vida e endividamento, ganham protagonismo na definição do voto.






