Manaus (AM) – A gestão do prefeito Raymundo Lopes de Albuquerque Sobrinho, o Raiz (União Brasil), em Novo Aripuanã, tornou-se alvo de uma série de investigações que apontam possíveis irregularidades administrativas, falhas na execução de contratos públicos e riscos diretos à população. As apurações constam no Diário Oficial Eletrônico do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (30/03/2026), desta segunda-feira, 30.
As denúncias foram formalizadas por um grupo de seis vereadores do município e, após análise preliminar, foram consideradas aptas para investigação. A fase de admissibilidade indica que há elementos mínimos para apuração de possíveis ilegalidades, embora medidas cautelares tenham sido negadas por serem classificadas como genéricas. Ainda assim, os processos seguem em tramitação.

Contratos sob investigação
Um dos principais focos das apurações envolve a inexecução de contratos de infraestrutura sob responsabilidade do Poder Executivo municipal. O Processo nº 13637/2026 investiga a ausência de avanços em obras de saneamento e drenagem previstas nas Concorrências Públicas nº 011/2025 e nº 012/2025, mesmo com contratos em vigor.
A denúncia descreve um cenário de alagamentos recorrentes, danos materiais e risco à saúde pública, com relatos de consumo de água contaminada e proliferação de doenças. Também está sob análise a suspeita de que o município tenha realizado pagamentos a empresas sem a devida execução dos serviços contratados, o que pode configurar dano ao erário.
Outra frente de investigação considerada sensível envolve o transporte escolar, no âmbito do Processo nº 13634/2026. O prefeito e a secretária municipal de Educação, Alcione Silva e Silva, são citados por supostamente permitir condições inadequadas e perigosas no deslocamento de estudantes da rede pública.
Situação precária do transporte
Os relatos incluem transporte fluvial sem equipamentos de segurança, como coletes salva-vidas, além de superlotação extrema em veículos terrestres, com vans destinadas a 12 passageiros transportando cerca de 50 alunos. Também foram registradas denúncias de ônibus em estado precário, emissão intensa de fumaça e uso de meios improvisados, como carrocinhas e canoas inadequadas.
Em algumas regiões, segundo a denúncia, estudantes estariam sendo obrigados a caminhar por ramais cobertos de lama, utilizando sacolas nos pés devido à ausência de transporte. Há ainda questionamentos sobre a gestão de recursos do FUNDEB, com a aquisição de ônibus escolares que permanecem inoperantes por falta de motoristas efetivos.
Paralelamente, outra investigação atinge o Legislativo municipal, no Processo nº 13886/2026, que apura possíveis irregularidades no Contrato nº 010/2025 da Câmara Municipal. O caso envolve suspeitas de pagamento por combustível não utilizado, indicando possível consumo fictício e desvio de finalidade.
As denúncias apontam para despesas sem retorno ao interesse público e potencial prejuízo financeiro aos cofres municipais. A investigação busca esclarecer se houve utilização indevida de recursos públicos e eventual responsabilidade dos gestores envolvidos.






