Relatório aponta ‘rombo’ em contas do AM na gestão interina de David Almeida

urante sua gestão de aproximadamente cinco meses, foram registradas sete irregularidades de elevada gravidade, envolvendo descumprimento de normas fiscais, eleitorais e administrativas.
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(Foto: Reprodução)

Manaus (AM) – Um levantamento detalhado das contas do Governo do Estado do Amazonas em 2017 revela uma série de irregularidades que lançam sombras sobre a gestão interina de David Almeida (Avante), que assumiu o poder após a cassação do então governador José Melo (Pros). O relatório, que analisou a aplicação de recursos públicos durante o período em que Almeida esteve à frente do Executivo, aponta para uma série de falhas graves que comprometem a legalidade administrativa e a qualidade dos serviços prestados à população.

O conteúdo das irregularidades consta no parecer técnico analisado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), tendo como relator o deputado estadual Wilker Barreto.

Uma das principais críticas recai sobre a reiteração de irregularidades com Termos de Ajustamento de Conduta (TACs). O relatório demonstra que a gestão Almeida continuou utilizando TACs como instrumento de contratação, em substituição ao processo licitatório. Essa prática, considerada uma afronta à Constituição Federal e à Lei de Licitações, levanta dúvidas sobre a lisura dos contratos e a proteção do erário.

Outra grave irregularidade identificada foi a realização de pagamentos fora da ordem cronológica. O documento aponta para despesas empenhadas, liquidadas e pagas no mesmo período, sem observância da exigibilidade e sem justificativa formal. Essa prática, segundo o relatório, fere os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e transparência, podendo caracterizar favorecimento indevido e quebra da isonomia entre credores.

A má gestão dos recursos do FUNDEB também é um ponto crítico do balanço. O relatório detalha pagamentos realizados via conta única, ausência de controle das fontes, extratos sem identificação dos beneficiários e falha no registro de despesas de pessoal. Essa negligência comprometeu a confiabilidade das informações contábeis e reduziu a transparência da aplicação de recursos destinados à educação.

Além disso, a gestão Almeida é acusada de descumprir uma decisão cautelar do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas. O relatório demonstra que, mesmo após a determinação de suspensão de novos contratos, a gestão prosseguiu com contratações, desrespeitando o controle externo e a legislação vigente.

O relatório aponta ainda para a realização de publicidade institucional em período vedado pela legislação eleitoral. A gestão Almeida teria gasto quase R$ 800 mil em serviços de comunicação durante o período eleitoral, o que configura abuso de poder político e violação ao princípio da impessoalidade.

A cereja do bolo das irregularidades é a desapropriação irregular de um imóvel por R$ 10,5 milhões. Segundo o relatório, a compra do imóvel não comprovou urgência ou utilidade pública e ocorreu em detrimento de dívidas da saúde, que acumulavam milhões em restos a pagar. Essa decisão administrativa, considerada desproporcional e insensível, levanta sérias dúvidas sobre a priorização de interesses e a administração dos recursos públicos.

A análise das contas do Governo do Estado do Amazonas em 2017 expõe um cenário preocupante, em que a gestão interina de David Almeida é marcada por irregularidades e descaso com a administração pública. As falhas apontadas comprometem a legalidade dos atos administrativos, a transparência na aplicação dos recursos e a qualidade dos serviços prestados à população, lançando dúvidas sobre a capacidade administrativa da gestão de David Almeida na época.

Destaques das irregularidades apontadas pelo relatório

Reiteração de Irregularidades com TACs: Constatou-se o uso irregular de Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) como instrumento de contratação, em afronta ao art. 37, XXI, da Constituição Federal e aos arts. 2º e 3º da Lei nº 8.666/1993. Essa prática evidencia não apenas descumprimento legal, mas também a consolidação de um padrão de má gestão.

Pagamentos Efetuados Fora da Ordem Cronológica: Foram identificados pagamentos realizados no mesmo período em que foram empenhados e liquidados, em descompasso com a ordem cronológica prevista no art. 5º da Lei nº 8.666/1993. Essa conduta afronta os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e transparência.
Má Gestão da Fonte 146 – FUNDEB: Constatou-se falhas graves na administração dos recursos do FUNDEB, como pagamentos realizados via conta única, ausência de controle das fontes, extratos sem identificação dos beneficiários e falha no registro de despesas de pessoal. Essa negligência comprometeu a confiabilidade das informações contábeis e reduziu a transparência da execução orçamentária.

Pagamento de Despesas de Exercícios Anteriores com recursos do FUNDEB: Foi constatada a utilização de recursos do FUNDEB para quitação de Despesas de Exercícios Anteriores (DEA), caracterizando desvio de finalidade e comprometendo a execução orçamentária da educação.

Descumprimento de Decisão Cautelar do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas: A gestão interina prosseguiu com contratações mesmo após decisão do Tribunal que determinava a suspensão de novos contratos, configurando desobediência consciente de ordem de controle externo.

Realização de Publicidade Institucional em Período Vedado: Foram gastos R$ 769.614,70 em publicidade institucional em período vedado pela legislação eleitoral. Essa conduta configura abuso de poder político e violação ao princípio da impessoalidade.

Desapropriação Irregular: Foi realizada uma desapropriação irregular no montante de R$ 10,5 milhões, sem comprovação de urgência ou utilidade pública, em detrimento de dívidas da saúde. Essa decisão administrativa mostrou-se desproporcional diante do cenário fiscal crítico do Estado.

Entre maio e outubro de 2017, a gestão de David Almeida acumulou sete irregularidades de alta gravidade, segundo o parecer técnico. O documento aponta para o descumprimento de normas fiscais, eleitorais e administrativas, que, segundo especialistas, tiveram impacto direto nos serviços de saúde, educação e segurança, ampliando o quadro de precariedade enfrentado pela população amazonense.

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