Brasil – Com o crescimento do transporte por aplicativo sobre duas rodas, os cuidados com a higiene dos capacetes se tornaram uma preocupação de saúde pública. Hoje, milhares de passageiros utilizam capacetes compartilhados todos os dias, muitas vezes, sem qualquer tipo de proteção adicional.
A recente denúncia de uma cabeleireira nas redes sociais reacendeu o alerta: segundo ela, uma cliente contraiu piolho após usar um capacete fornecido durante uma corrida de mototáxi. O caso chamou atenção para um problema pouco discutido, mas com potencial de afetar a saúde de quem usa esse tipo de transporte com frequência.
Mais do que piolho: riscos vão além da infestação
A tricologista Vanessa Rodrigues explica que o uso de capacetes sem higienização adequada pode causar uma série de infecções e doenças dermatológicas. Entre os problemas mais comuns estão a foliculite, dermatite de contato, micose no couro cabeludo (tinha capilar), além da já conhecida infestação por piolhos.
“Capacetes mal higienizados acumulam suor e resíduos que servem de ambiente ideal para a proliferação de bactérias, fungos e parasitas. Isso pode causar coceira intensa, queda de cabelo, vermelhidão e lesões na pele”, explica a especialista.
Além disso, há riscos de impetigo, pitiríase, sarna e outras dermatites irritativas, tanto no couro cabeludo quanto na região da barba, onde o capacete entra em contato direto com a pele.
Como se proteger?
Para reduzir os riscos de contaminação, a orientação é clara: sempre que possível, use uma touca descartável ou reutilizável ao colocar o capacete. Profissionais da área também recomendam que os motociclistas higienizem o interior do equipamento com sprays antimicrobianos e lavem regularmente os forros, que já são removíveis em muitos modelos.
Outra opção é investir em capacetes com forros e espumas antimicrobianas, já disponíveis no mercado. “Esses materiais ajudam a frear a proliferação de microrganismos e reduzem a chance de infecção cruzada entre passageiros”, diz Vanessa.
Quando procurar um especialista?
Caso o passageiro perceba sintomas como coceira persistente, feridas, vermelhidão ou descamação após o uso do capacete, é importante procurar ajuda médica. Um dermatologista poderá identificar infecções de pele, enquanto um tricologista é indicado para casos que envolvem couro cabeludo e barba.
“Identificar se a origem é bacteriana, fúngica ou parasitária é essencial para um tratamento eficaz. Automedicação pode agravar o quadro”, alerta a profissional.
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