Vereador preso por rachadinha: 3 cofres, cheques de R$ 500 mil e mais de 20 celulares foram apreendidos em operação

Esquema na Câmara Municipal envolvia até 50 funcionários que devolviam "até metade do salário" ao vereador Rosinaldo Bual
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(Arte: Chayb Lucas / Portal Tucumã)

Manaus (AM) – A Operação Face Oculta, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO) nesta sexta-feira (3), revelou um sofisticado esquema de rachadinha comandado pelo vereador Rosinaldo Bual (Agir) na Câmara Municipal de Manaus.

Durante coletiva de imprensa, o Ministério Público do Amazonas detalhou que foram apreendidos três cofres, dois cheques no valor de R$ 500 mil, uma arma e aproximadamente 20 celulares.

De acordo com Leonardo Tupinambá, chefe do GAECO, as investigações identificaram que o parlamentar mantinha uma “alta rotatividade” de funcionários em seu gabinete, entre 40 e 50 servidores, que eram obrigados a devolver “até metade do salário” ao vereador.

Esquema de desvio milionário

“O dinheiro ia primeiramente para quatro ou cinco pessoas da equipe dele e depois eram revertidos em benefício do parlamentar”, explicou Tupinambá durante a coletiva. O MP pediu o bloqueio de R$ 2,5 milhões das contas do vereador e já apreendeu uma “expressiva quantia” em dinheiro que precisou ser contada com máquina do Banco Bradesco.

(Foto: Divulgação)

Os três cofres foram localizados em endereços diferentes: um na casa do vereador, outro na residência de sua mãe e o terceiro em um sítio de propriedade dele. Em um dos cofres, foram encontrados dois cheques no valor total de R$ 500 mil endereçados a um dos investigados.

Resistência do vereador e nova apreensão

O vereador se recusou a fornecer as senhas dos cofres, obrigando a intervenção do Corpo de Bombeiros para abertura dos equipamentos. Além dos valores em dinheiro, foram apreendidos munições e documentos que devem comprovar a extensão do esquema criminoso.

Na casa da mãe do parlamentar, os investigadores encontraram uma arma de fogo, que resultou em nova acusação por posse irregular de arma de uso permitido.

Desmentido sobre tráfico

Durante a coletiva, o MP afastou qualquer ligação do caso com tráfico de drogas, esclarecendo que as acusações são especificamente de peculato, concussão, associação criminosa e lavagem de dinheiro. “Essa investigação não trata de tráfico de drogas”, afirmou Tupinambá.

(Foto: Divulgação)

A investigação focou principalmente no mandato atual do vereador, que está no seu terceiro mandato na Câmara Municipal de Manaus e preparava sua candidatura a deputado estadual para 2026.

Câmara se pronuncia

Em nota oficial, a Câmara Municipal de Manaus informou que “reitera seu compromisso com a transparência, a legalidade e a colaboração com os órgãos de controle e fiscalização”, colocando-se à disposição das autoridades.

O MP-AM espera apresentar a denúncia contra o vereador já na próxima semana, respeitando os prazos do Código de Processo Penal. Os investigados responderão por peculato, concussão, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

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