Atem e REAM são alvo de denúncia sobre alta nos combustíveis do Amazonas

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Denúncia sobre preços da REAM aponta aumento nos combustíveis; levantamento da reportagem analisou reajustes registrados (Reprodução)

Manaus (AM) – O vereador de Manaus Rodrigo Guedes (Progressistas) divulgou uma denúncia contra a Refinaria da Amazônia (REAM), pertencente ao grupo Atem, afirmando que a empresa teria mantido preços elevados dos combustíveis no Amazonas mesmo após a queda das cotações internacionais do petróleo. A manifestação foi publicada nas redes sociais do parlamentar, que afirmou ter protocolado o caso em órgãos de fiscalização e defesa do consumidor.

Segundo Guedes, a REAM teria elevado os preços cobrados das distribuidoras após o início da guerra contra o Irã, em 28 de fevereiro de 2026, utilizando como justificativa a valorização do barril de petróleo no mercado internacional. O vereador afirma que, após o encerramento oficial do conflito, em 14 de junho de 2026, e a redução do barril para valores próximos aos registrados antes da crise, os preços praticados pela refinaria permaneceram em patamares superiores.

“Mesmo com a queda e o barril voltando ao valor de antes da guerra, o preço que a refinaria cobra das distribuidoras continua R$ 1,60 por litro mais caro”, declarou Guedes em publicação nas redes sociais. O parlamentar afirmou ainda que a diferença representaria cerca de R$ 240 milhões por mês, considerando uma estimativa de aproximadamente 150 milhões de litros comercializados mensalmente, e disse que pretende levar a denúncia a órgãos em Brasília.

Histórico de reajustes da refinaria desde a mudança de controle

A denúncia remete à mudança de controle da antiga Refinaria Isaac Sabbá, localizada em Manaus, adquirida pela Rede Atem junto à Petrobras em dezembro de 2022, pelo valor informado de R$ 1,3 bilhão. Segundo o vereador, após a compra, a unidade deixou de utilizar petróleo produzido em Urucu, no município de Coari, e passou a operar com matéria-prima importada de países como Peru, México, Estados Unidos e nações árabes, afirmação apresentada por ele como parte da denúncia.

Um levantamento baseado em registros oficiais da REAM e dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aponta uma sequência de reajustes no preço da gasolina comum na modalidade EXA, que representa o valor de venda da refinaria sem tributos e sem custos de logística externa. Em 5 de janeiro de 2023, o valor registrado era de R$ 3,3294 por litro; em 26 de janeiro do mesmo ano, subiu para R$ 3,6439. Após uma redução que levou o preço a R$ 2,66 em junho de 2023, o combustível voltou a subir, chegando a R$ 3,3651 em agosto.

A trajetória de alta continuou em 2024, quando a gasolina EXA ultrapassou a marca de R$ 3,70 em outubro, alcançando R$ 3,7863 por litro no dia 11. Em novembro, ocorreram novos reajustes: o valor chegou a R$ 3,8655 em 8 de novembro e atingiu R$ 3,9265 em 29 de novembro. Já em 2026, o levantamento aponta o período de maior elevação, com o preço saindo de R$ 2,89 em dezembro de 2025 para R$ 4,3240 por litro em 21 de março de 2026, após aumentos registrados nos dias 3, 6 e 13 de março.

Além da gasolina, o levantamento apresentado também reuniu dados sobre o etanol hidratado no Amazonas. Segundo as informações divulgadas, o combustível atingiu valor máximo de revenda de R$ 5,69 por litro em março de 2026, enquanto o preço de distribuição chegou a R$ 4,39, mantendo uma relação de aproximadamente 78% em comparação com a gasolina. A denúncia de Rodrigo Guedes coloca em discussão a formação dos preços dos combustíveis no Estado, onde a REAM tem papel estratégico no abastecimento dos municípios amazonenses.

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