Manaus (AM) – Uma empresa de logística sediada em Campinas (SP) servia de fachada para uma das rotas mais lucrativas do tráfico de drogas do Norte para o Sudeste do país.
Nesta quarta-feira (20), a Polícia Civil do Amazonas (PCAM) e de São Paulo (PCSP) deflagraram a segunda fase da Operação Sampa, que investiga uma organização criminosa responsável pelo transporte de mais de uma tonelada de entorpecentes – incluindo a cobiçada maconha skunk – avaliada em R$ 20 milhões.
Como drogas saiam de Manaus
O esquema, desmontado a partir de uma apreensão histórica no Porto da Ceasa, em Manaus, em agosto de 2024, operava com precisão empresarial:
Em Manaus, criminosos preparavam a carga de drogas em caminhões; em Campinas, um empresário do setor logístico coordenava o transporte interestadual como se gerenciava cargas legais. A droga seguia escondida em meio a produtos convencionais.

Foram cumpridos três mandados de prisão preventiva, quatro de busca e apreensão e quatro de sequestro de bens. As ordens judiciais foram executadas simultaneamente nos dois estados, com apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, no âmbito do Programa Nacional de Enfrentamento às Organizações Criminosas (ENFOC).
Caminhão interceptado

De acordo com o delegado Mário Paulo, diretor do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) da PCAM, a investigação começou justamente com a interceptação de um caminhão cheio de drogas prestes a embarcar para São Paulo. “O motorista do veículo foi preso em flagrante”, disse o delegado.
O caso escancara como organizações criminosas têm se aproveitado da infraestrutura logística da região Norte – portos, estradas e rotas comerciais – para expandir negócios ilícitos de drogas para outros estados. O skunk, tipo de maconha mais potente e cara, tem destino certo: as capitais do Sudeste.

A operação revela ainda a sofisticação do crime organizado na Amazônia, que agora conta com “executivos” do tráfico operando a distância, de escritórios, longe da violência das bocas de fumo.
A PC-AM não divulgou os nomes dos investigados, mas adiantou que o empresário de Campinas era peça-chave na lavagem de dinheiro e no planejamento dos carregamentos de drogas.
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