Você já deve saber de cor e salteado quais sãos as medidas para prevenir o coronavírus: lavar bem as mãos, cobrir a boca ao tossir e espirrar, evitar contato com pessoas infectadas e, é claro, não tocar o rosto.
Como todos sabem também, o vírus entra no organismo por meio do nariz, boca e olhos. Evitar levar o vírus da mão para essas mucosas é uma das melhores medidas para não ficar doente.
Agora uma das recomendações mais fáceis de fazer, pode ser também uma das mais difíceis de seguir: ficar sem encostar as mãos no rosto freqüentemente.
Sossega essa mão
E esse não é um problema só entre a população “comum” – nem mesmo os especialistas e autoridades de saúde conseguem seguir o hábito à risca.
Para se ter uma ideia, após uma pesquisa feita em uma faculdade de medicina na Austrália, foi verificado que os estudantes tocavam o rosto, em média, 23 vezes durante uma aula de uma hora, ou seja uma vez a cada 2,5 minutos. Ou seja, levando pro campo matemático, podemos dizer que em média, por hora tocamos no rosto 15 vezes. Se você passa 12 horas por dia com ocupações diárias, essa média pode subir para 180 vezes que poderá tocar no seu rosto. Lembrando que isso pode ser bastante relativo, e depende de pessoa para pessoa.
Mas por que é tão difícil ficar sem tocar no rosto? A prática parece contraintuitiva. Se o simples fato de tocar o rosto transmite milhares de germes para dentro do corpo, a seleção natural não deveria ter excluído esse hábito?
Não necessariamente. Na verdade, todos os animais mexem no rosto, seja com a pata ou esfregando a cara no chão ou em uma árvore. Os seres humanos são um dos poucos animais que possuem as mãos livres para essa atividade. Obviamente, não dá pra um animal de quatro patas, por exemplo, desenvolver o mesmo hábito.
Para nós, as mãos são uma ferramenta para higienizar o rosto, seja para tirar remela do olho ou caquinha do nariz. Os roedores fazem a mesma coisa – é só pesquisar um vídeo fofinho de um esquilo limpando o rosto para perceber. A diferença é que, para eles, passar a mão pelo rosto também é uma tática que melhora o olfato.
Esse não é o nosso caso, mas talvez tocar o rosto ajude com outras necessidades humanas. Nós sabemos que os humanos começam a tocar o rosto quando ainda estão dentro do útero. Estudos mostram que os fetos levam suas mãos às bochechas e olhos quando suas mães gestantes estão estressadas.
Estresse também colabora
O estresse também está relacionado ao hábito de tocar o rosto em adultos. Uma pesquisa feita na Alemanha submeteu voluntários a um teste de memória enquanto eles ouviam barulhos ensurdecedores, o que, você provavelmente já adivinhou, fazia eles esfregarem a própria cara com muito mais frequência. Os pesquisadores supõem que encostar no rosto pode servir como um alívio emocional em situações estressantes.
Como diminuir o hábito
Por mais instintivo que seja, existem maneiras de diminuir o hábito. Uma empresa de tecnologia americana desenvolveu uma pulseira digital que te lembra de não ficar tocando o rosto. Mas não precisa ir tão longe assim. Programar um alarme no celular já ajuda a fixar a ideia na cabeça.
É pouco provável que você consiga abandonar totalmente o hábito de tocar o rosto, mas pelo menos dá pra diminuí-lo. O importante é perceber por quê você está tocando o rosto. É para apoiar a cabeça? Tente uma outra posição. É só porque está entediado? Tente ocupar as mãos com outra atividade. E já que colocar as mãos no rosto é quase inevitável, garanta que elas estejam sempre bem limpinhas com sabão ou álcool em gel.






