De professora em São Paulo à delegada no Amazonas

"Eu subi as escadas me perguntando: Será que essas escadas vão me levar há algum lugar? Será que vale a pena com a idade que estou?. Como valeu a pena", relata Débora Mafra se referindo à volta aos estudos.
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Débora Mafra
Débora Mafra

Uma mulher de fibra que enfrenta com muita garra à luta contra a violência cometida a outras mulheres. É assim que podemos definir o trabalho realizado pela delegada Débora Mafra, titular na Delegacia Especializada em Crimes Contra Mulher (DECCM), localizada no Parque Dez, em Manaus.

Débora Mafra, que é natural de Osasco (SP), conta que já foi professora primária na cidade de Sorocaba, e que chegou na capital amazonense sem perspectivas de vida, porém tudo mudou a partir de uma decisão, que foi a de voltar a estudar, após o término de seu primeiro casamento.

“Quando eu percebi que realmente eu não tinha nada, eu não era nada, parti para tirar uma carteira de motorista e entrar numa faculdade. E eu escolhi o Direito, porque eu sempre admirei delegados de polícias e juízes, e eu queria ser uma coisa ou outra, e tinha que ter o curso para exercer essas profissões”, comenta.

A delegada falou ainda, das dificuldades que enfrentou para estudar sendo mãe de dois filhos, ainda crianças à época. “Eu subi as escadas me perguntando: Será que essas escadas vão me levar há algum lugar? Será que vale a pena com a idade que estou?. Como valeu a pena”, disse.

A carreira policial de Débora Mafra iniciou em 2001, na Polícia Civil do Amazonas, como escrivã. “Fiz o concurso da Polícia Civil para escrivã e passei. Na época eu tinha que estudar, trabalhar, mas eu tive o apoio da minha mãe e da minha irmã que veio morar aqui também. Elas me davam muita força para continuar. Daí comecei a estudar para delegada de polícia, porque eu me apaixonei pela instituição da Polícia Civil”, fala Débora.

Segundo amor

Mafra relata que foi estudando para o concurso de delegada que conheceu seu segundo amor, o também delegado Jander Mafra. “Nós estudamos juntos para o concurso de delegado na polícia Civil. Ele era professor de Português e me ajudou com as aulas. Daí começamos a namorar, e eu nem sabia que ele era investigador da Polícia Civil, e nós dois nos tornamos aquilo que sonhávamos, delegados”, destaca.

Família

Como toda mãe Débora Mafra se diz orgulhosa pela formação de seus dois filhos e de como sua decisão no passado, em estudar fez a diferença na vida deles. “Meus filhos cresceram, um se tornou médico, a outra fez Serviço Social e está seguindo o meu caminho, cursando o último ano de Direito, e trazem muita alegria pra mim. Fui um exemplo como mãe e como mulher, e é isso que quero pra todas, principalmente aqui no Amazonas, é que vocês lutem e saibam que vale a pena”, comenta.

Trabalho

A dra. Débora Mafra também atuou como delegada titular no 28º Distrito Integrado de Polícia (DIP) e adjunta no 1º DIP, duas vezes como adjunta na Delegacia de Homicídios e Sequestros (DEHS). Em 2015, Débora foi convidada para atuar na DECCM e fala do orgulho que sente realizando esse trabalho.

“Veio o convite há cinco anos para atuar na DECCM, no bairro Cidade de Deus. Foi um desafio e eu não imaginava que eu tinha encontrado o meu mundo. Eu não imaginava de como é bom fazer uma mulher sorrir, como é bom auxiliar a mulher naquele momento de maior vulnerabilidade”, enfatiza.

Uma dica que a delegada Débora Mafra deixa a todas as mulheres, é de que elas sejam protagonista de suas histórias, independente dos problemas enfrentados no dia a dia.

Confira a entrevista

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