Apesar de ser a menor do Brasil em número de abstenções, Manaus registrou maior percentual de eleitores que não compareceram ao pleito, em relação a 2016.
Manaus – O pleito eleitoral de 2020 foi considerado um dos mais acirrados nos últimos anos. Entretanto, a quantidade de abstenções aumentou gradativamente na votação do último domingo (15).
Manaus aparece em primeiro lugar com o menor índice de abstenções das capitais brasileiras, com apenas 18,23% da população que deixaram de votar, representando 242.787 eleitores, considerando o medo causado pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19), em comparação a cidades como Recife, Teresina, Belém e São Luís
Porém, o número é maior que os registrados nas Eleições Municipais de 2016, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que registrou no primeiro turno 8,59% de não comparecimento às urnas e no segundo, 9,50%, naquele ano.
No Amazonas, o número chegou a 19% de eleitores que não foram votar.
Abstenções qualificadas
Para o cientista político Afrânio Soares, da Action Pesquisas, as abstenções deste ano tiveram características específicas.

“Tem uma característica que vale a pena comentar. Ela pode ter sido, não tem como saber, uma abstenção qualificada, ou seja, a maior parte dessa abstenção e desse excedente de 4%, e a normal, que já é esperado, pode ter sido maior nos acima de 60 anos, que está mais vulnerável ao Covid, que faz parte do grupo de risco. Sendo assim, isso pode ter tido algum impacto na Eleição”, afirma.
Desgaste do eleitor

O cientista político Helso Ribeiro também concorda sobre o aumento das abstenções, em Manaus, em relação as Eleições de 2016 e aponta o descrédito da classe política como contribuição para o alto número de abstenções.
“Primeiro, o absenteísmo é algo que tem crescido mundialmente. Um desgaste do eleitor com a democracia representativa. Muitas vezes, candidatos ao cargo de vereador, de prefeito, prometem ações que não conseguem cumprir. Isso faz com que o eleitor acabe desistindo de ir às urnas. Agora, esse fenômeno acabou sendo acrescido pela imposição do isolamento, por conta da pandemia. Nós vimos que muitas pessoas preferiam não arriscar ir até a sessão de votação, por conta dos riscos de contrair o novo coronavírus. Isso fez com que, em Manaus, por exemplo, a abstenção batesse um pouco acima de 18%, o que nunca houve”, disse.
Texto: Carlos Eduardo Araújo
Fotos: Divulgação






