Manaus (AM) – O governador do Amazonas, Wilson Lima (União Brasil), anunciou na tarde desta segunda-feira (02) que não será candidato ao Senado nas eleições gerais de 2026. A declaração foi feita durante encontro com apoiadores e a imprensa, em uma quadra esportiva na zona Centro-Sul de Manaus. Ao encerrar meses de especulações nos bastidores políticos, ele afirmou que a decisão foi tomada com base em responsabilidade administrativa e na necessidade de concluir obras em andamento.
Durante o anúncio, o chefe do Executivo estadual relacionou a escolha à continuidade de investimentos na área da saúde. “Nós enfrentamos muitas dificuldades, principalmente na pandemia, para que a gente pudesse modernizar os processos, para que a gente pudesse diminuir as filas, para que a gente pudesse melhorar os fluxos de atendimento, para que a gente pudesse aumentar a nossa carteira de serviços, como transplante de rim, transplante de fígado, implante coclear, e a gente conseguiu avançar muito nesse sentido”, declarou.
Ele citou intervenções no Platão Araújo, João Lúcio e Joãozinho, além da ampliação das ações para a SECOM e os SPAs. “E nós precisamos concluir essas obras. Então foi isso que me fez tomar essa decisão, claro, conversando com a minha família, conversando com os deputados, conversando com o nosso grupo político, mas sobretudo esse compromisso”, afirmou.
Questionado se a posição do PL teria sido decisiva para o recuo, Wilson Lima respondeu de forma direta. “Não. A nossa federação tem a maior estrutura do estado do Amazonas, a maior quantidade de vereadores, o maior tempo de televisão. Hoje é a maior agremiação partidária do Brasil”, declarou. Na última sexta-feira, a cúpula do PL afirmou à Revista que o nome do governador estava “completamente descartado” para a disputa.
Articulações e cenário político
Questionado sobre articulações envolvendo a federação partidária, o governador reconheceu que há discussões em curso em âmbito nacional. “A Federação, a Presidência Nacional tem interesse nessas questões e há acordos que estão sendo construídos a nível nacional. É claro que a gente faz parte dessas discussões e aí no momento apropriado, dependendo da decisão que a gente tomar, a gente comunica”, disse.
Ao ser perguntado sobre possíveis apoios, ele afirmou que ainda não tratou do tema com o vice-governador. “Eu ainda não conversei com o Tadeu de Souza sobre isso, mas no momento apropriado a gente conversa. É alguém que tem me ajudado muito, é alguém que tem sido muito correto nas suas ações, tem sido desde o início do nosso mandato até aqui e tem me ajudado muito, principalmente na área da saúde”, declarou.
Futuro político e relação institucional
Sobre o futuro, Wilson Lima afirmou que considera precoce tratar de novos projetos eleitorais. “Eu acho que ainda está um pouco longe para a gente tratar disso, mas o meu compromisso é continuar contribuindo com o Estado do Amazonas, continuar ajudando naquilo que eu puder”, disse.
Ele destacou a experiência acumulada ao longo da trajetória política e reforçou que não depende de mandato para atuar. “Tudo que a gente acumulou ao longo desses anos, seja andando nas comunidades, mesmo antes de ter um cargo eletivo, depois de estar aqui nessa posição, isso me conferiu uma experiência muito significativa de entendimento de como é que funciona a estrutura do Estado”, afirmou.
Em resposta a questionamentos sobre eventual recuo, o governador negou que a decisão represente fragilidade política. “Não, isso daqui não tem a ver com coragem, isso daqui tem a ver com responsabilidade. Nenhum governador enfrentou as dificuldades que nós enfrentamos”, declarou.
Ele também relembrou os resultados eleitorais anteriores. “Em 2018. Em 2022, ninguém acreditava que eu pudesse ser governador. Eu fui duas vezes o governador mais votado da história do Amazonas. O resto é conversa. O resto é retórica. O resto é o resto”, disse.
Ao comentar a relação com os prefeitos do interior, Wilson Lima ressaltou o papel do governo estadual na execução de obras. “Eu sempre trabalhei para que isso acontecesse. Dificilmente eles conseguem retocar obra de infraestrutura se não tiver o apoio do governo do Estado. É por isso que eu sempre estive dialogando com eles”, afirmou.






