Manaus (AM) – O incêndio de grandes proporções que atingiu as fábrica da Effa Motors e Valfilm da Amazônia, no Distrito Industrial II, zona Leste de Manaus, no início da tarde da última terça-feira (05), gerou nuvens densas de fumaça que se espalharam por diversos bairros da cidade.
Além do impacto ambiental, o episódio levanta sérias preocupações de saúde. Profissionais alertam para que riscos como esses possam ser evitados.

Pneumologistas alertam para os riscos
Especialistas em saúde respiratória vêm intensificando os alertas sobre os perigos que ameaçam a saúde pulmonar da população.
Pneumologistas, médicos dedicados ao diagnóstico e tratamento das doenças do sistema respiratório, chamam a atenção para os riscos de poluição do ar carbonizado das fábricas industriais. A conscientização e a prevenção são fundamentais para evitar complicações graves e preservar a qualidade de vida.

Segundo o médico pneumologista Dr. Luiz Marques, os compostos liberados no incêndio incluem materiais particulados e voláteis invisíveis a olho nu, que penetram profundamente nas vias respiratórias.
“Essas partículas atingem a parte mais distal do pulmão e podem causar crises de tosse, bronquite, rinite, sinusite, pneumonite química e até pneumonias. Quanto mais próximo da área afetada, maior a concentração dessas substâncias e, portanto, maior o risco à saúde”, explica.
O Dr. Marques recomenda o uso de máscaras – as mesmas amplamente utilizadas durante a pandemia da Covid-19 – para reduzir a inalação de poluentes.
Ele também orienta que pessoas com doenças respiratórias crônicas, como asma ou fibrose pulmonar, mantenham o uso regular de seus medicamentos e fiquem atentas a qualquer piora no quadro clínico.
“Caso surjam sintomas como falta de ar, chiado no peito ou tosse persistente, é fundamental procurar atendimento médico imediatamente”, alerta.

Já o também pneumologista Dr. David Luniere reforça que os efeitos da fumaça podem variar de acordo com o tempo de exposição e a condição de saúde do indivíduo.
“A fumaça gerada em queimadas industriais contém tanto agentes irritativos quanto tóxicos. Os sintomas mais comuns são olhos vermelhos e lacrimejantes, garganta arranhando, tosse seca e até sangramento nasal em casos mais graves”, afirma.
Para os chamados grupos de risco – crianças, idosos e pessoas com doenças pulmonares pré-existentes – o alerta é ainda maior.
“Esses indivíduos podem apresentar sintomas mais severos e prolongados. O desconforto no peito e a sensação de aperto ou falta de ar devem ser levados a sério”, ressalta Dr. Luniere.
Como se proteger:

Os especialistas indicam algumas medidas simples, porém eficazes, para minimizar os efeitos da exposição à fumaça:
- Mantenha portas e janelas fechadas em caso de cheiro intenso de fumaça no ar;
- Use máscaras ao sair de casa;
- Hidrate as vias aéreas com inalações de soro fisiológico ou umidificação do ambiente (com toalhas molhadas, baldes com água ou umidificadores);
- Evite esforços físicos ao ar livre nas áreas próximas ao incêndio;
- Mantenha o uso de medicamentos regulares, especialmente para doenças respiratórias;
- Procure atendimento médico se os sintomas forem persistentes ou se agravarem.
Efeitos podem durar semanas
Ambos os pneumologistas destacam que os efeitos da inalação de poluentes não se limitam às primeiras horas após o incêndio.
“Esses sintomas podem surgir em horas ou até dias após a exposição, e em alguns casos podem durar semanas”, afirma Dr. Marques.
A população deve permanecer atenta e seguir as recomendações de saúde. Em caso de dúvidas, é recomendado buscar orientação médica especializada.
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