Passageiro denuncia “máfia” no Porto de Manaus e cita Bronze e Carlito

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Arte: João Mota/Portal Tucumã

Manaus (AM) – Um vídeo que circula nas redes sociais expôs denúncias sobre o Porto de Manaus após um passageiro denunciar a cobrança considerada abusiva de taxa de acesso ao terminal. Nas imagens, gravadas nas dependências do porto e que passaram a repercutir nos últimos dias, o autor da gravação afirma que existe uma “máfia” atuando no local e cita os nomes dos empresários Carlos Antônio (Carlito) De Carli e Alessandro Bronze Toniza, ligados ao histórico da administração privada do terminal e apontados nos bastidores políticos como possíveis suplentes da candidatura de Alberto Neto (PL) ao Senado. Até o momento, a administração do porto não se manifestou sobre as denúncias.

Durante a gravação, o passageiro percorre áreas de circulação do terminal enquanto relata dificuldades enfrentadas por usuários para embarcar, desembarcar ou acessar embarcações. O vídeo também mostra funcionários e agentes portuários em serviço enquanto o denunciante questiona a legalidade das cobranças, a atuação de intermediários e as restrições impostas aos cidadãos que utilizam o principal terminal hidroviário do Amazonas.

As reclamações se inserem em um contexto de críticas recorrentes à gestão do Porto de Manaus. Nos últimos anos, passageiros e comerciantes têm relatado reajustes nas tarifas de acesso, limitações na aceitação de meios eletrônicos de pagamento e problemas no atendimento ao público, situações que frequentemente motivam reclamações a órgãos de defesa do consumidor e manifestações de usuários nas redes sociais.

Histórico da concessão e processos judiciais

O empresário Alessandro Bronze Toniza tornou-se uma das principais figuras ligadas à administração do Porto de Manaus ao longo das últimas duas décadas. Seu nome ganhou projeção durante o período em que a operação do terminal era conduzida pela iniciativa privada, exercendo funções de direção na concessionária responsável pela exploração da infraestrutura portuária e participando de reuniões do Conselho de Autoridade Portuária (CAP) como representante do setor de operadores portuários.

Em 2012, Bronze tornou-se réu na Ação Civil Pública nº 0019436-60.2012.4.01.3200, proposta pelo Ministério Público Federal (MPF) por supostos atos de improbidade administrativa. A ação questiona a alienação de bens vinculados ao Porto Organizado de Manaus, entre eles um cais flutuante e veículos que, segundo o MPF, integravam o patrimônio da União. Durante o processo, a Justiça Federal determinou a indisponibilidade cautelar de bens dos réus para assegurar eventual ressarcimento ao erário.

Os fatos investigados remontam a julho de 2005, quando administradores das empresas Amazônia Operações Portuárias e Empresa de Revitalização do Porto de Manaus S/A teriam vendido bens públicos para quitar dívidas privadas das próprias empresas. Conforme os documentos analisados, entre os itens alienados estavam um cais flutuante de aproximadamente 100 metros, negociado por R$ 100 mil, e dois ônibus vendidos por R$ 80 mil cada, bens adquiridos por meio do Convênio nº 07/1997, firmado para delegar a administração do porto ao Estado do Amazonas.

Além da ação por improbidade, os mesmos fatos também deram origem à Ação Penal nº 0011339-42.2010.4.01.3200, indicando que as condutas investigadas também passaram pela esfera criminal. Entre os réus citados nas decisões judiciais constam Eric Stone de Holanda, Alessandro Bronze Toniza, Sheila Ingrid Ferreira da Silva e Cícero Brasiliano de Moraes.

De Carli, reclamações atuais e cenário político

O sobrenome De Carli também aparece na trajetória da administração privada do Porto de Manaus desde o início dos anos 2000. Integrantes da família participaram da estrutura empresarial relacionada ao processo de arrendamento e revitalização do terminal em um período marcado por debates sobre investimentos, preservação do patrimônio histórico e questionamentos administrativos e judiciais envolvendo os contratos de concessão.

Entre os nomes associados ao setor está Carlos Antônio De Carli, conhecido como Carlito De Carli, apontado em registros públicos como participante de empresas ligadas à atividade portuária. Também aparece Carlos Alberto Di Carli, citado em procedimentos administrativos e judiciais relacionados aos contratos de arrendamento celebrados naquele período.

Os registros públicos disponíveis indicam que Alessandro Bronze e integrantes da família De Carli estiveram vinculados ao mesmo contexto empresarial relacionado à administração privada do Porto de Manaus.

As denúncias registradas no vídeo também coincidem com reclamações recentes de usuários sobre a operação do terminal. Levantamento referente ao período de 2025 e 2026 aponta que consumidores relataram aumento de 50% na taxa de entrada de passageiros e encomendas, elevando o valor para R$ 10, além de queixas sobre infraestrutura precária, supostas cobranças realizadas em nome de um Microempreendedor Individual (MEI) sem vínculo aparente com a administração oficial e ausência de respostas às manifestações registradas na plataforma Reclame Aqui.

A repercussão do vídeo ocorre em meio às articulações políticas para as eleições de 2026, nas quais Alessandro Bronze e Carlito De Carli passaram a ser citados nos bastidores como possíveis suplentes da candidatura de Alberto Neto (PL) ao Senado. Até a publicação desta matéria, a administração do Porto de Manaus não havia se pronunciado sobre as denúncias apresentadas nas redes sociais.

Porto de Manaus nega cobrança em duplicidade

Em nota encaminhada após a repercussão do vídeo, a administração do Porto de Manaus afirmou que as imagens foram divulgadas sem o contexto completo dos fatos e negou que a passageira tenha sido cobrada duas vezes para acessar o terminal. Segundo a empresa, a usuária havia pago apenas a passagem para a embarcação de destino, mas não a tarifa de embarque, cuja cobrança é obrigatória e regulamentada pelos órgãos responsáveis.

Ainda de acordo com o porto, a passageira foi orientada por um agente portuário sobre a necessidade de apresentar o comprovante de pagamento da tarifa de embarque. Conforme a administração, a usuária interpretou que estava sendo cobrada novamente por um valor que já havia quitado, quando, na realidade, se tratavam de cobranças distintas.

O Porto de Manaus também declarou que realiza apenas as cobranças previstas em lei e regulamentadas pelos órgãos fiscalizadores, afirmando que não atua fora das normas aplicáveis à operação do terminal. A administração acrescentou que permanece à disposição para prestar esclarecimentos sobre o funcionamento de seus serviços.

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