Caso Master: Mendonça retira sigilo e mensagens revelam contatos entre Moraes e Vorcaro

Especial Publicitário
Registros técnicos apontam que um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” alterou uma versão do contrato com o Banco Master (Nelson Jr./SCO/STF)

Manaus (AM) – O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta terça-feira, 1, o sigilo de um processo que reúne novas informações da Polícia Federal sobre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Entre os documentos estão mensagens que identificam o ministro Alexandre de Moraes como interlocutor de Vorcaro em conversas sobre investigações da PF, além de informações envolvendo a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.

As mensagens foram encontradas no celular de Vorcaro e mostram que o banqueiro procurava Moraes para falar sobre possíveis medidas contra ele e o Banco Master. Em uma das conversas, de 4 de novembro de 2025, Vorcaro pergunta sobre uma possível medida de intensidade “médio a grave” e tenta saber se poderia ser uma busca ou uma quebra de sigilo. Os registros divulgados não permitem saber todas as respostas de Moraes porque parte das mensagens foi enviada no formato de visualização única.

Dois dias depois, em 6 de novembro, Vorcaro voltou a procurar Moraes e perguntou se ele havia conseguido “bloquear” o que chamou de “maldade”. O banqueiro também quis saber se a situação envolvia Brasília e demonstrou preocupação com possíveis medidas que poderiam atingir seus negócios. Em 15 de novembro, dois dias antes de ser preso, Vorcaro perguntou a Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”.

Vorcaro acabou preso pela Polícia Federal em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de São Paulo, quando se preparava para deixar o País em um avião particular. A prisão ocorreu no contexto da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades envolvendo o Banco Master. Segundo a PF, as mensagens indicam que Vorcaro buscava informações sobre investigações e tentava obter ajuda junto a autoridades.

André Mendonça retirou o sigilo da PET 16.662 nesta terça-feira e determinou que os novos elementos sejam analisados pelo Plenário do STF (Reprodução)

Contrato de R$ 131 milhões e cartões para os filhos

Outro ponto revelado nesta terça-feira envolve Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes. O escritório comandado por ela tinha um contrato com o Banco Master no valor divulgado de aproximadamente R$ 131,2 milhões. Registros técnicos de um arquivo mostram que uma versão do contrato foi aberta e alterada por um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”, em 15 de janeiro de 2024, às 23h04, no sistema Office 365.

O escritório Barci de Moraes confirmou que Alexandre teve acesso ao contrato e afirmou que ele analisou o documento para verificar se havia algum impedimento legal para a contratação. Segundo a banca, não havia impedimento porque o contrato não previa atuação no Supremo Tribunal Federal. As informações divulgadas nesta terça-feira não apontam, por si só, que Alexandre tenha recebido o valor do contrato; o acordo foi firmado entre o Banco Master e o escritório de sua mulher.

Também foram divulgadas mensagens de 2 de outubro de 2025 sobre cartões de crédito para os filhos de Alexandre e Viviane. Segundo o material atribuído à PF, Guilherme de Toledo Benazzi, administrador do escritório Barci de Moraes, procurou Vorcaro para tratar da emissão dos cartões para Giuliana e Alexandre Barci de Moraes. Uma funcionária do Banco Master informou que o limite pretendido era de R$ 300 mil para cada filho, e Vorcaro respondeu autorizando o procedimento.

A decisão de André Mendonça que retirou o sigilo não cita Alexandre de Moraes nominalmente. O ministro afirma que a PF havia encontrado conversas de Vorcaro com uma pessoa que, naquele momento, ainda não estava identificada. Depois, segundo a investigação policial divulgada nesta terça-feira, essa pessoa foi identificada como Moraes, e Mendonça determinou que os novos elementos fossem colocados em um processo próprio, a PET 16.662.

Mendonça também determinou que parte do material seja analisada pelo Plenário do STF, em sessão pública. A decisão informa que a PF apresentou uma nova Informação de Polícia Judiciária, a IPJ-A nº 3298613/2026, acompanhada de quatro documentos, com informações sobre a identificação de pessoas relacionadas à suposta rede de influência atribuída a Vorcaro. A investigação também envolve mensagens nas quais o banqueiro menciona a necessidade de “proteção” de Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e Paulo Gonet, procurador-geral da República.

Tags:
Compartilhar Post:
Especial Publicitário
Banner TCE
Manaus é Chibata