Manaus (AM) — O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes é alvo de 109 pedidos de impeachment apresentados no Congresso, segundo declaração do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, nesta terça-feira, 1. A informação veio à tona no mesmo dia em que senadores defenderam o afastamento do ministro após a divulgação de informações de um relatório da Polícia Federal (PF) sobre a relação dele com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Vorcaro, que está preso desde março, era dono do Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central em novembro passado em meio a um escândalo de fraude bancária. Documentos reunidos em um processo que estava sob sigilo e teve o conteúdo divulgado nesta terça pelo ministro André Mendonça, também do STF, trouxeram mensagens encontradas no celular do banqueiro.
Segundo as informações divulgadas, os registros identificam Alexandre de Moraes como interlocutor de Vorcaro em conversas relacionadas a investigações da PF. O material também contém informações envolvendo Viviane Barci de Moraes, advogada e mulher do ministro, enquanto parte das mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro não pode ser conhecida porque foi enviada no formato de visualização única.
Entre os registros está uma conversa de 4 de novembro de 2025, na qual Vorcaro pergunta sobre uma possível medida de intensidade descrita como “médio a grave”. O banqueiro tenta saber se a providência poderia ser uma busca ou uma quebra de sigilo, mas os registros divulgados não permitem identificar todas as respostas atribuídas a Moraes.

Senadores defendem afastamento de Moraes
As revelações provocaram discursos de senadores no Plenário do Senado nesta terça-feira. Alessandro Vieira (MDB-SE), Carlos Viana (PSD-MG), Cleitinho (Republicanos-MG), Damares Alves (Republicanos-DF), Esperidião Amin (PP-SC), Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Izalci Lucas (PL-DF) e Magno Malta (PL-ES) defenderam o afastamento de Moraes por meio de impeachment ou renúncia.
Ao comunicar que a oposição havia protocolado um novo pedido de impeachment contra o ministro, Carlos Viana afirmou que o afastamento seria necessário. “É urgente o afastamento de Alexandre de Moraes pelo próprio Supremo Tribunal Federal, para o bem do Judiciário brasileiro. Não estamos falando aqui em atacar o Judiciário. Nada disso. Estamos falando em defender as instituições”, declarou.
Alessandro Vieira também criticou a atuação atribuída ao ministro e afirmou que o caso já se prolongava. “O ministro Alexandre de Moraes é um cadáver jurídico, um cadáver político. Ele se inviabilizou pela sua conduta”, disse o senador, acrescentando que, em sua avaliação, um integrante do STF não deveria atuar como assessor de um banqueiro.
Izalci Lucas afirmou que gostaria de votar o impeachment de Moraes antes do término de seu mandato como senador. Cleitinho defendeu que o ministro compareça ao Senado para prestar esclarecimentos, enquanto Flávio Bolsonaro afirmou que Moraes teria cometido crime de responsabilidade ao ser identificado como alguém que estaria “trabalhando para um banqueiro”.
Após a sessão do Plenário, Davi Alcolumbre foi questionado por jornalistas sobre o conteúdo das conversas envolvendo Moraes e Vorcaro. O presidente do Senado respondeu que não havia formado uma conclusão sobre o material e chamou atenção para a quantidade de pedidos de impeachment envolvendo ministros do Supremo.
“Eu não achei nada, não devo achar nada. Minha percepção é que tem 109 pedidos. Isso não é normal: 109 solicitações no Congresso de impeachment dos dez ministros do Supremo Tribunal Federal”, afirmou Alcolumbre.
A declaração coloca o número de 109 pedidos de impeachment no centro da discussão política desta terça-feira, enquanto os senadores que defenderam o afastamento de Moraes relacionaram suas manifestações às informações divulgadas a partir do material da PF. O conteúdo reúne registros encontrados no celular de Vorcaro e informações sobre contatos com o ministro e sua mulher, mas as mensagens divulgadas não permitem conhecer integralmente todas as respostas atribuídas a Moraes.






