Mulheres que relataram ter sofrido assédio sexual de um padre na Grande BH afirmam que há pelo menos mais três vítimas que não tiveram coragem de fazer denúncia formal. Apesar da dificuldade de falar sobre o assunto, elas decidiram levar o caso a público para dar força à outras mulheres que passaram por essa situação.
Três vítimas disseram que prestaram depoimento, nesta semana, na Delegacia da Mulher de Santa Luzia, cidade onde os crimes teriam ocorrido. A Polícia Civil informou que o caso tramita em sigilo.
O padre José Carlos Pereira administra unidades educacionais ligadas à Igreja Católica, e as vítimas eram funcionárias das instituições. De acordo com as mulheres, ele se aproveitava de momentos em que ficava sozinho com cada uma para tocar as partes íntimas delas e tentar beijá-las à força. Isso acontecia principalmente às sextas-feiras, quando ele entregava uma espécie de complemento dos salários dos funcionários. O padre entregava cerca de R$ 50 a R$ 150 toda semana.
As três mulheres relatam que os assédios começaram em meados de maio do ano passado. Elas deixaram os empregos em agosto.
A vítima mais velha, de 33 anos, contou à reportagem que José Carlos Pereira colocava os funcionários uns contra os outros. Ela relata que os assédios deixaram marcas psicológicas pesadas.
“Às vezes ele chama uma menina, fala que uma é melhor que a outra: ‘Ainda bem que você está aqui agora, que a fulana não está aqui. Você trabalha melhor’. Esse tipo de coisa. É meio que uma manobra para uma pessoa não conversar, não confiar na outra. Desde o primeiro, que foi um beijo que ele me deu, eu já fiquei totalmente transtornada e constrangida. Estou tendo transtorno alimentar, crise de ansiedade, muito medo. Não durmo, não consigo comer. Eu não consigo fazer nada da minha vida mais”, disse.
Já a vítima mais jovem, de 19 anos, disse que o pior foi perceber que não poderia confiar no padre que era muito próximo da família dela.
“A minha mãe sempre frequentou as missas, minha família. Ele me batizou, batizou meu irmão, minha sobrinha, batizou minha família toda. Ele transparecia ser uma pessoa totalmente diferente. Minha mãe trabalhou para ele. Eu contava minha vida toda para ele. Então, eu não esperava. Eu fiquei sem chão”, afirmou.
Uma outra mulher que denunciou os assédios, de 23 anos, contou que só se sentiu fortalecida para deixar o emprego e ir à polícia depois de saber que colegas passavam pelo mesmo.
“Conversando com as meninas, a gente tomou a decisão de pedir para poder sair de lá, porque não estava dando mais. Era uma situação muito constrangedora, chorando o tempo todo. Não tinha mais como a gente ficar lá, então, a gente procurou ajuda. Eu queria que as pessoas que passaram por isso criassem coragem de denunciar ele. Não é justo o que ele fez com a gente, não é justo o que ele fez com ninguém, e não é justo deixar ele fazer isso com mais ninguém”, falou.
As três relataram que tiveram muito medo de denunciar porque o padre tem grande influência na comunidade em Santa Luzia.
A CBN tentou contato com José Carlos Pereira, mas ele não atendeu às ligações.
A Arquidiocese de Belo Horizonte disse que confia no adequado processo de apuração das denúncias e garantiu que está sempre pronta a buscar a realidade dos fatos em comunhão com as autoridades. A arquidiocese não respondeu se o padre continua exercendo suas funções.
Entenda o caso
Uma mulher denunciou o padre José Carlos Pereira por assédio sexual, nesta quinta-feira (28). Ele é dono do colégio onde ela trabalhou por dois anos, em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
De acordo com a vítima, o padre sempre se aproximava às sextas-feiras com alguma forma de assédio ou importunação sexual.
A mulher que fez a denúncia à Polícia Civil contou que outras funcionárias também passaram por situações semelhantes.
Com informações do G1






