Um caminhoneiro paulista identificado por Anderson Rocha, de 48 anos, está desaparecido desde o início de julho quando embarcou em uma balsa transportadora, em Santarém, com dois caminhões, com destino a Itacoatiara, mas desapareceu no meio do caminho, no Rio Amazonas.
A esposa do caminhoneiro, a manicure Fátima Rocha, de Regente Feijó, no interior de São Paulo, vive um drama angustiante: o de não saber o que aconteceu com o marido. E ninguém sabe explicar o sumiço de Anderson, nem onde, como e nem por quê?
Fátima disse que até o dia seguinte ao embarque do marido na balsa, 3 de julho, ela vinha mantendo contato frequente com o marido, através de mensagens de celular.
“A última vez que trocamos mensagens foi na manhã do dia 3. Depois, à tarde, enviei outra mensagem, que foi recebida, mas não respondida. Como não estávamos brigados nem nada, estranhei e mandei outras mensagens, que também chegaram, mas não foram mais visualizadas, no próprio dia 3. Mas a tripulação diz que o Anderson só desapareceu entre a noite do dia 4 e a manhã do dia 5, o que dá mais de 24 horas de diferença entre o fim dos meus contatos e a suposta data do desaparecimento dele. Isso altera radicalmente a área de buscas, porque, se algo aconteceu com ele entre os dias 3 e 4, e não 4 e 5, como diz a tripulação, o comboio ainda não havia atingido a área que foi vasculhada pela Marinha. Isso me deixa ainda mais angustiada”, diz a mulher do caminheiro, que, oficialmente, ainda é dado apenas como “desaparecido” – embora as chances de sobrevivência a uma queda no meio do maior rio da Amazônia sejam mínimas.

Além do caminhoneiro, não havia mais ninguém na balsa – só os três tripulantes do barco empurrador, que afirmam que ele sumiu no rio.
Anderson, que era o responsável pelos dois caminhões, era o único passageiro da balsa Navebran, que fazia parte de um comboio com mais duas balsas de carga que estavam sendo levadas por um barco empurrador (uma espécie de rebocador ao contrário, que empurra balsas em vez de puxá-las, muito comum nos rios amazônicos), onde seguiam o comandante – e dono das balsas -, Aroldo Barroso, e mais dois tripulantes.
O embarque foi no dia 2 deste mês, e, segundo os tripulantes, o caminhoneiro foi visto pela última vez no início da noite do dia 4, quando apareceu para jantar no barco empurrador, único local do comboio onde era possível comer, beber água e ir ao banheiro.
Mas, na manhã seguinte, de acordo com os tripulantes, Anderson não voltou para tomar café e eles decidiram averiguar. E não encontraram o caminhoneiro na balsa – apenas todos os seus pertences.
Hipótese
O mais provável é que Anderson tenha caído no rio por acidente, mal súbito, descuido ou desequilíbrio – ao tentar urinar da borda, por exemplo (a balsa não tinha banheiro), ou atravessar, no escuro da noite, da balsa para o barco empurrador, com este mesmo intuito (a passagem de uma embarcação para a outra não era iluminada).
Mas isso, bem como a própria eventual confirmação oficial da morte do caminhoneiro, só acontecerá quando for concluído os inquéritos instalados pela Capitania e pela Polícia, que não têm data para terminar.
Depoimentos
A hipótese de roubo de carga ou pirataria, algo bem comum nos rios amazônicos hoje em dia, está descartada, já que nada foi roubado dos caminhões, nem mesmo da carteira de Anderson, que foi encontrada intacta, junto a todos os seus pertences.
Já algum eventual desentendimento entre o caminhoneiro e os tripulantes não pode ser descartado, embora eles tenham negado isso à Polícia e a perícia não tenha constatado nenhum vestígio de briga ou ferimentos a bordo.
No depoimento, os tripulantes disseram ainda que o caminhoneiro passava os dias inteiros sozinho, dentro da balsa, só vindo ao barco para comer, beber água ou ir ao banheiro.
Com informações UOL






