Operação desarticula ‘núcleo político’ de facção no AM; servidora da prefeitura é presa

Até a última atualização, 14 pessoas haviam sido presas, sendo oito no estado do Amazonas.
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Manaus (AM) – A Polícia Civil do Amazonas deflagrou, na manhã desta sexta-feira (20), a Operação Erga Omnes para desarticular uma organização criminosa com atuação interestadual investigada por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção. A ação é coordenada pelo 24º Distrito Integrado de Polícia e contou com apoio de forças de segurança de outros estados.

Foto: Mauro Neto/Secom

Segundo as investigações, o grupo teria ligação com a facção Comando Vermelho e mantinha um “núcleo político” com acesso a estruturas do Executivo, Legislativo e Judiciário no Amazonas. Até a última atualização, 14 pessoas haviam sido presas, sendo oito no estado do Amazonas.

Entre os alvos está Anabela Cardoso Freitas, integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus e ex-chefe de gabinete do prefeito David Almeida até 2023. O prefeito não é alvo da investigação. Também foram alvos um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas e ex-assessores parlamentares.

Em nota, a prefeitura informou nem o prefeito nem a estrutura administrativa do município integram o objeto da investigação. Confira:

“A Prefeitura de Manaus esclarece que não é alvo da operação realizada nesta sexta-feira, 20/2, pela Polícia Civil do Estado do Amazonas. Conforme informado pelas próprias autoridades, nem o prefeito David Almeida nem a estrutura administrativa do município integram o objeto da investigação. A atual administração mantém compromisso absoluto com a legalidade, a transparência e o respeito às instituições. Qualquer servidor eventualmente investigado responderá individualmente por seus atos, nos termos da lei, sem prejuízo do funcionamento regular da máquina pública”, diz a nota.

Operação

Foto: Mauro Neto/Secom

A Justiça expediu 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, além de autorizar bloqueio de contas, sequestro de bens e quebra de sigilo bancário. As ordens são cumpridas em Manaus e nos municípios de Belém e Ananindeua (PA), Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE), Teresina (PI) e Estreito (MA).

De acordo com a Polícia Civil, o esquema teria movimentado aproximadamente R$ 70 milhões desde 2018, média de cerca de R$ 9 milhões por ano. Parte dos recursos, estimada em R$ 1,5 milhão, teria sido direcionada à facção por meio de empresas de fachada.

Foto: Mauro Neto/Secom

As apurações indicam que essas empresas eram contratadas nos setores de transporte e logística e utilizadas para aquisição de drogas na Colômbia, com envio para Manaus e posterior distribuição para outros estados.

Os investigados podem responder por organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

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