O novo coronavírus infectou um total de 52 pessoas no abrigo de idosos onde morava a primeira vítima fatal da variante Ômicron no Brasil. A instituição, localizada em Aparecida de Goiânia, na região metropolitana da capital goiana, reportou os casos à Secretaria de Saúde do município. Até o momento, nem o nome da vítima e nem da instituição foram revelados.
O registro do primeiro óbito por Ômicron foi divulgado na quinta-feira (6/1), no entanto, foi registrado no dia 27 de dezembro de 2021. A vítima era um idoso de 68 anos, com comorbidades, como doença pulmonar obstrutiva crônica e hipertensão. Por ser institucionalizado e viver em abrigo, ele entrou no primeiro grupo de vacinação do Plano Nacional de Imunização (PNI) e já tinha tomado a terceira dose da vacina.
De acordo com a SMS de Aparecida, as duas primeiras doses foram de Coronavac e a terceira, aplicada no dia 1º de setembro de 2021, foi de Pfizer. A família dele também está sendo acompanhada pelos técnicos da prefeitura. Até o momento, todos estão saudáveis, sem apresentar sintomas ou suspeita da doença, conforme o município.
Explosão de casos
A SMS de Aparecida informou ao Metrópoles, por meio de nota, que no dia 22 de dezembro a direção da Instituição de Longa Permanência, cujo idoso morava, entrou em contato com a pasta informando que diversos residentes estavam com sintomas gripais.
Os profissionais de saúde do abrigo foram orientados pela Equipe da Vigilância Epidemiológica Municipal a realizar testes de antígeno nos internos para detecção de SARS CoV-2. A medida confirmou surto de Covid-19 na instituição. Os diagnosticados com a doença foram isolados.
Durante a investigação epidemiológica, a Secretaria identificou que o primeiro interno a apresentar sintomas era contactante de um caso confirmado de Ômicron. Até então, o município não havia detectado a transmissão comunitária da cepa, com apenas 22 casos da variante confirmados na cidade.
Ao todo, 52 pessoas foram diagnosticadas com Covid-19 no abrigo e cinco amostras foram sequenciadas. Todas estas confirmaram contaminação pela Ômicron. Dois moradores precisaram de internação e um deles foi a óbito. Todos os outros 50 casos já receberam alta.
Contactante da Ômicron
O secretário de Saúde de Aparecida de Goiânia, Alessandro Magalhães, disse que dos cinco casos sequenciados, dois são de duas idosas que já haviam sido diagnosticadas com a variante Ômicron, durante o trabalho de sequenciamento genômico feito pela prefeitura. As duas senhoras estão bem e já vinham sendo acompanhadas pelos profissionais de saúde. Acredita-se que o idoso que faleceu possa ter pego a doença em algum contato com elas.
“Nós acreditamos que alguém, numa visita ou algum trabalhador, diante do contexto de transmissão comunitária da variante na cidade, possa ter levado o vírus lá para dentro. Surtos em abrigo ocorrem porque alguém de fora leva o vírus”, aponta Alessandro.
Evolução rápida
O idoso infectado pela variante Ômicron apresentou os primeiros sintomas da Covid no dia 20 de dezembro, como tosse, dispnéia, desconforto respiratório e saturação abaixo de 95%. No dia 24/12, ele deu entrada numa Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Aparecida, já em situação agravada.
“Foram quase 48h para estabilizá-lo e ter condições de transporte para levá-lo para o hospital municipal”, contou o secretário.
A transferência ocorreu no dia 26/12 e menos de 24h depois, à 1h31 do dia 27/12, ele morreu em decorrência de um choque séptico ocasionado pela Covid-19.
“Como ele já tinha histórico de contato com pessoas (as duas idosas moradoras do mesmo abrigo) que a gente já havia sequenciado e confirmado que era Ômicron, sequenciamos a amostra dele também”, relata o secretário de Saúde. O resultado positivo para a variante saiu nessa quinta-feira.
Variante chegou à cidade após evento religioso
A chegada da Ômicron ao município, conforme a investigação epidemiológica feita pela prefeitura de Aparecida de Goiânia, ocorreu após um evento religioso, no qual estavam presentes duas pessoas que tinham acabado de chegar da África.
Com a identificação de casos de Covid entre os presentes, nos dias seguintes ao evento, a Vigilância local conseguiu mapear todos aqueles que tiveram contato com essas duas pessoas. Em seguida, identificou-se um avanço da doença entre os integrantes desse grupo e verificou-se, por meio de sequenciamento em laboratório, que tratava-se da Ômicron.
Transmissão acelerada
Até então, 55 casos da variante já foram confirmados na cidade. No início de dezembro, ela representava 15% das amostras analisadas no laboratório vinculado à prefeitura. Nessa última semana, elas já corresponderam a 93% dos resultados.
O quadro de transmissão comunitária foi confirmado pela SMS já em dezembro, dias depois das primeiras confirmações. No decorrer dos sequenciamentos, segundo Alessandro, eles chegaram a duas pessoas com variante Ômicron que já não tinham histórico de contato com as pessoas que estavam no tal evento.
“Não conseguimos mais rastrear a origem, a partir de então”, revela ele. A variante alastrou-se. “Percebemos que ela transmite muito rápido. Nós projetávamos a prevalência dela para a segunda quinzena de janeiro, mas ela já ocorreu na primeira semana deste mês”, expõe o secretário.
Alessandro acredita que a chegada da variante, somada ao período de festas e aglomerações de final de ano, acelerou o ritmo de transmissão da Covid em Aparecida de Goiânia. “No dia 22 de dezembro, o índice de positividade entre os testados na cidade estava em torno de 5%. Hoje, a média móvel está em torno de 17%”, revela.
Com informações do Metrópoles








