Uma preocupação que tem crescido cada vez mais entre os médicos, sobretudo os oncologistas, é a situação dos pacientes com câncer, que ficam mais suscetíveis a contrair a covid-19 nestes tempos de pandemia por terem imunidade mais baixa. É que apesar da importância dos cuidados e do isolamento social, estes pacientes também não podem deixar de lado a continuidade do tratamento – a não ser que sejam orientados pelos seus médicos quanto a isso. E não é o que tem sido observado.
Estimativas recentes das Sociedades Brasileiras de Patologia e de Cirurgia Oncológica são de que desde o início da pandemia, aproximadamente 50 mil pessoas deixaram de obter diagnósticos precisos referentes à descoberta de tumores ou sobre como anda o tratamento. Outros milhares de pacientes, já com o tumor detectado, tiveram os tratamentos suspensos, conforme alertam também as duas entidades.
Segundo a oncologista Andréa Farias, da OncoVida/Oncoclínicas Brasília, a maneira mais eficaz de prevenir a doença é diminuir o risco de exposição ao vírus, além de identificar e, consequentemente, isolar de forma rápida os pacientes suspeitos.
Ela explicou que como pacientes oncológicos que estejam fazendo quimioterapia ou imunoterapia ficam com a imunidade reduzida, eles devem tomar mais cuidado ao fazer o isolamento social. Para Andréa, qualquer sintoma gripal deve alertar essas pessoas quanto à possibilidade de infecção pelo coronavírus. Motivo pelo qual o paciente oncológico deve ficar atento e se comunicar com seu médico imediatamente.
Mas de acordo com a oncologista, a suspensão ou não do tratamento precisa levar em conta a finalidade do mesmo – se curativo, paliativo e os riscos e benefícios com algum possível atraso. “A conduta que tem sido adotada é de geralmente observar o paciente por três a cinco dias, ver como ele evoluiu e só depois disso definir pela interrupção ou não do tratamento e/ou quimioterapia”, destacou.
Andréa afirmou que os pacientes que fazem quimioterapia, além das medidas preventivas para si, também precisam ficar atentos, no caso de morarem com outras pessoas, para a prevenção feita por estas. Inclusive a de manter distância de dois metros entre cada um.
O oncologista Bruno Ferrari, do Grupo Onoclínicas, tem recomendação semelhante. Ele apontou mudanças na rotina de atendimento de pacientes com câncer e alertou: “O câncer não para e espera o coronavírus passar”.
Ferrari disse ficar preocupado com desinformações que circulam afirmando que as pessoas devem parar com o tratamento e pede que quem desejar agir assim, só tome tal atitude depois de conversar com o seu oncologista.
O médico também afirmou que, como em geral o paciente vai com mais de um acompanhante até a clínica fazer seu tratamento oncológico, neste período deve procurar ir com apenas um deles. Ele também elogiou o avanço da telemedicina que, a seu ver, “tem ajudado os médicos a ficarem mais próximos dos pacientes nesta situação e prestar a estes um bom atendimento”.
Jornal do Brasil






