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Ciclo da borracha: Um legado de dor e glórias para Manaus

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Nesta quarta-feira (24) a cidade de Manaus completa 350 anos. Muito se aborda sobre o Teatro Amazonas, um dos cartões-postais do município, comidas típicas e dialetos, mas pouco se fala como esse legado iniciou. Fatos históricos foram decisivos para que Manaus chegasse no seu atual patamar, um deles, talvez o principal de todos, o ciclo da borracha.

O ciclo da borracha foi uma época onde a exploração de heveas brasilienses, popularmente conhecida como seringueira, principalmente no Amazonas e no Pará, era principal atividade econômica da região nos séculos XIX e XX.

De 1890 a 1920, Manaus foi denominada de “Belle Époque”, nessa mesma época, a cidade ganhou melhorias, como pavimentação, e monumentos históricos, preservados até os dias atuais, foram construídos.

Teatro Amazonas. Foto: Divulgação

“Alguns autores acham que a borracha não teve grandes destaques, muito pelo contrário, a partir de 1890, que é o boom, ela começa aparecer para o mercado internacional. A construção desses patrimônios aconteceram graças a economia da borracha, o Teatro Amazonas é um dos mais exemplos disso”, explica o historiador Abrahim Baze.

Nordestinos na Amazônia

O ciclo da borracha teve maior relevância graças ao trabalho de pessoas que vieram do Nordeste para trabalhar na extração de látex. Muitos deles vieram com o objetivo de fugir da seca e construir uma vida melhor na Região Amazônica. Entretanto, tudo isso não passou de ilusão.

Assim que chegavam na Amazônia já estavam atolados de muitas dívidas, principalmente por causa de comida, armas e instrumento de trabalhos. Eles viviam uma intensa carga horária de trabalho, similares da escravidão. Muitos trabalhadores eram conhecidos como “soldados da borracha”.

Identificado apenas como Seu Jaime, foi seringueiro durante o segundo ciclo da borracha. Ele conta sua rotina na época quando explorava látex.

“Era uma vida muito sofrida, o seringueiro não trabalha para ganhar dinheiro, mas sim, para sobreviver. Eu trabalhava 18 horas por dia, muitas vezes levantava 01h da madrugada e terminava apenas 17h, tudo isso para não ganhar nada”, disse o ex-soldado da borracha.

Do apogeu ao declínio

Por muitos anos a Amazônia, principalmente Manaus, desfrutou dos privilégios que a borracha proporcionou, mas tudo isso chegou ao fim.

Um britânico chamado Henry Wickham, levou as sementes da seringueira de forma clandestina para o continente asiático, passando a vender borracha por um preço mais barato, entretanto, sem qualidade, por conta diferença com o solo brasileiro.

Látex extraído da seringueira. Foto: Divulgação

Com a Segunda Guerra Mundial, países asiáticos que produziam borracha foram proibidos de fazerem exportação. Após a decisão, os olhos do mundo se voltaram para a Amazônia, começando seu segundo ciclo.

Museu do Seringal Vila Paraíso

Localizado na comunidade São João Afluente do Tarumã Mirim, área rural de Manaus, o Museu do Seringal Vila Paraíso é uma atração turística da capital amazonense proporcionando uma viagem no tempo sobre o ciclo da borracha.

Instrumentos da caça, extração do látex, moradia da época e até mesmo um cemitério de seringueiros chamam a atenção do público. O museu funciona de 08h às 17h e o acesso é por meio de embarcação.

Entrada do Museu Seringal Vila Paraíso. Foto: João Paulo Castro

O local já foi cenário de uma produção feita pela Rede Globo em 2001 e ficou como legado para a capital amazonense.

Por João Paulo Castro

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