Manaus (AM) – O deputado federal André Janones (Rede-MG) afirmou que não aceitará nenhum ministério no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração foi feita em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, exibida nesse domingo (01), quando o parlamentar anunciou que continuará na Câmara dos Deputados.
A decisão foi apresentada após especulações sobre sua possível entrada no governo, em reconhecimento à atuação na campanha de reeleição do presidente. “Eu não vou aceitar nenhum ministério. Está cravado. Não vou ser ministro do governo Lula. Vou continuar na Câmara dos Deputados representando o povo”, declarou Janones durante a entrevista.
A manifestação encerra as especulações sobre a possibilidade de o deputado assumir uma função no governo federal, especialmente na área de comunicação. Seu nome passou a ser mencionado após a participação na estratégia de mobilização digital que ajudou a campanha de Lula durante o segundo turno das eleições presidenciais.
Janones ganhou projeção nacional durante a campanha com o Exército do Lula, canal de WhatsApp criado e administrado por ele para organizar a participação de apoiadores nas redes sociais. Em aproximadamente três semanas, a ferramenta ultrapassou 10 milhões de participantes, que recebiam mensagens e orientações para compartilhar publicações favoráveis ao então candidato à reeleição.
O trabalho chamou a atenção de Lula, que agradeceu publicamente ao parlamentar durante os discursos da vitória e o chamou de “general”. A atuação também alimentou a possibilidade de Janones assumir uma função ligada à comunicação digital do próximo governo, inclusive com especulações sobre uma eventual participação na Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom).
Da possibilidade de assumir um cargo à permanência na Câmara
A posição definitiva de Janones foi apresentada depois de uma manifestação diferente feita em 29 de outubro. Naquela quinta-feira, o deputado afirmou que não descartava assumir um ministério ou outra função no governo e que precisava conversar com Lula antes de tomar uma decisão. Segundo ele, o presidente havia feito um convite para um almoço em Brasília, com o objetivo de discutir os próximos passos após a eleição.
Na ocasião, Janones disse que, por vontade própria, considerava a Câmara dos Deputados o lugar onde poderia ajudar mais o presidente. Entretanto, afirmou que não tomaria a decisão sem ouvir Lula, a quem atribuiu maior capacidade de avaliar onde sua participação seria mais útil. Também mencionou a necessidade de fortalecer a base de apoio do governo no Congresso para aprovar projetos de interesse da população.
O encontro com Lula e a primeira-dama Janja ocorreu no Palácio da Alvorada, em Brasília, e durou aproximadamente três horas. Depois da conversa, o deputado manteve a posição de que aguardaria a orientação do presidente, sem descartar a possibilidade de integrar a equipe ministerial. Três dias depois, na entrevista ao Fantástico, apresentou uma decisão diferente e afirmou que permanecerá no Legislativo.
Ao explicar a escolha, Janones disse que um ministério limitaria sua liberdade de atuação por causa das obrigações administrativas e dos compromissos ligados ao cargo. Em publicação nas redes sociais, afirmou que pretende continuar ajudando Lula por meio da mobilização de apoiadores e da atuação política fora da estrutura do Executivo.
“Porque não desejo ser ministro? Porque não posso ter as amarras da liturgia de um cargo nem ficar preso em compromissos burocráticos!”, escreveu o parlamentar. Na mesma manifestação, acrescentou que considera a Câmara o espaço em que poderá repetir o trabalho de mobilização realizado durante o segundo turno.
O futuro do Exército do Lula
A entrevista também abordou os próximos passos do canal de WhatsApp que ganhou destaque durante a campanha. Depois do resultado das eleições, a ferramenta perdeu aproximadamente 200 mil participantes, segundo informações apresentadas pelo deputado. Janones afirmou que parte dessas pessoas não apoiava Lula e havia ingressado no canal durante o período eleitoral.
O parlamentar também reconheceu que o funcionamento do grupo concentrava muitas decisões em suas mãos. Segundo ele, esse formato foi adotado como uma estratégia para vencer a eleição e ajudar o presidente a construir condições para governar, mas não representa o modelo de participação que considera ideal para a democracia.
Janones afirmou que pretende manter a mobilização para ajudar Lula durante o novo mandato. A intenção, segundo ele, é ampliar a circulação de informações sobre as ações do governo e fazer com que as mensagens do presidente cheguem diretamente à população, além de contribuir para o enfrentamento da oposição no Congresso Nacional.
O deputado foi reeleito em 2026 para mais um mandato na Câmara dos Deputados, por Minas Gerais. Com a declaração ao Fantástico, confirmou que pretende permanecer no cargo parlamentar durante o quarto governo de Lula, cuja posse está prevista para janeiro de 2027.






