Manaus (AM) — Em agosto de 2025, o vereador Sargento Salazar (PL) publicou um vídeo denunciando cobranças feitas no Porto de Manaus. Na gravação, ele questionou uma tarifa de R$ 50 para carros e outra de R$ 8 para pessoas que entrassem a pé no terminal para buscar encomendas. O parlamentar chamou as cobranças de “roubo” e afirmou que levaria o caso ao Ministério Público.

Segundo os valores mostrados no vídeo, também havia cobranças de R$ 10 para embarque, R$ 10 para acesso de não passageiros, R$ 10 para turismo e R$ 200 pela permanência diária de uma embarcação. Salazar atribuiu as tarifas ao então governador Wilson Lima e fez críticas à administração estadual. A estrutura oficial do Porto, porém, mostra que a responsabilidade não é exercida pessoalmente pelo governador.
O Porto Organizado de Manaus é administrado pelo Governo do Amazonas por meio da Superintendência Estadual de Navegação, Portos e Hidrovias (SNPH). A gestão ocorre por delegação da União, prevista no Convênio de Delegação nº 01, assinado em 1º de agosto de 2019. A SNPH exerce a função de autoridade portuária, conforme a Lei Federal nº 12.815/2013, enquanto a União mantém competências sobre o sistema portuário federal.

De administrador do porto a suplente ao Senado
É nesse ambiente que aparece Alessandro Bronze Toniza, empresário que, segundo a documentação reunida para a apuração, teve atuação ligada a empresas relacionadas ao Porto de Manaus. Ele aparece como ex-administrador da Amazônia Operações Portuárias e da Empresa de Revitalização do Porto de Manaus S/A. Também consta como presidente da Roadway Centro Comercial S.A. – SPE, sociedade que atua em áreas comerciais do complexo portuário.
Toniza também aparece em processos judiciais relacionados à antiga administração do porto. Na Ação Civil Pública de Improbidade Administrativa nº 0019436-60.2012.4.01.3200 e na Ação Penal nº 0011339-42.2010.4.01.3200, ele foi relacionado a acusações envolvendo a alienação de patrimônio da União, incluindo um cais flutuante de cem metros e dois ônibus, em 2005. As ações registram medidas judiciais, entre elas bloqueio de bens e contas para garantir eventual ressarcimento. As acusações, contudo, devem ser tratadas como alegações discutidas nos processos, e não como condenação definitiva.
Em 2026, Toniza entrou também no cenário eleitoral. Ele passou a integrar a chapa de Alberto Neto (PL) como primeiro suplente ao Senado. Pela regra eleitoral, o suplente é o nome previsto para ocupar a vaga do titular em situações determinadas pela legislação. Na declaração apresentada à Justiça Eleitoral neste ano, Toniza informou patrimônio de R$ 23,44 milhões, incluindo R$ 900 mil em dinheiro em espécie e veículos avaliados em mais de R$ 5,4 milhões.
A declaração de 2026 representa uma diferença significativa em relação ao patrimônio informado por Toniza em 2016, quando disputou a Vice-Prefeitura de Manaus pelo PRTB. Na ocasião, ele declarou R$ 6,66 milhões. Dez anos depois, o valor chegou a R$ 23,44 milhões, uma variação nominal de aproximadamente 252%. Os registros sobre o Porto também mostram que antigos contratos de arrendamento firmados em 2001 tinham prazo até novembro de 2022, enquanto o modelo atual de administração é baseado na delegação feita pela União ao Estado do Amazonas em 2019.






