A comunidade católica Instituto Bíblico de Brasília perdeu a paz após um grupo de seminaristas entrarem em confronto com o diretor da igreja, localizada na Asa Norte do Distrito Federal (DF).
O padre chegou a fazer uma denúncia na 5ª Delegacia de Polícia dizendo que os seminaristas teriam matado um cachorro e enterrado ao animal no jardim da instituição. O crime teria acontecido no dia 19 de outubro.
Sob condição de anonimato, o padre, que diz sofrer ameaças, explicou que morava no local havia 12 anos e, até recentemente, ocupava cargo de destaque na igreja.
Em setembro deste ano, notou que um grupo de seminaristas passou a fazer oposição à gestão dele. “A rivalidade começou a ficar mais evidente em 5 de setembro, quando eu vi dois religiosos colocando dois cãezinhos que eu cuidava em um saco de nylon. À época, reagi prontamente e mandei retirarem os animais do saco. Alertei que era crime e disse para deixar os animais em paz”, disse padre.
Segundo ele, a justificativa da dupla era de que os animais estavam matando as galinhas no lote e que precisavam “dar um jeito” no problema. Após esse episódio, os ânimos se acirram e um seminarista, de 29 anos, teria chegado a dizer que expulsaria o padre da instituição “na porrada”.
Além das supostas ameaças, o jovem teria trocado as fechaduras do Instituto e se recusado a entregar o cartão corporativo ao padre, que ocupava uma posição hierarquicamente superior.
O suposto ato criminoso, sob investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), teria ocorrido durante uma viagem feita pelo padre. O religioso embarcou em 18 de outubro e voltou à capital federal no dia 25 do mesmo mês.
“Assim que abri o portão, os funcionários já me avisaram que tinham mandado matar o cachorro. Fiquei em estado de choque. Descobri que eles pegaram um dos filhotes, deram doses de Zolpidem, insulina, o colocaram em um saco e o jogaram no lixo. O animal ainda estava vivo. O fato é conhecido por todos que estavam lá”, detalhou o padre.
Um funcionário do Instituto, também sob condição de não ser identificado, confessou que ajudou no ato. “O seminarista pediu para pegar os dois cães, mas, como um deles fugiu na hora, só consegui capturar um. Ele era branquinho e o chamávamos de Pererê. Eu levei o cachorrinho para os fundos do lote e vi o momento em que ele foi colocado dentro de um saco e, depois, jogado em uma lata de lixo. Ainda estava vivo. No outro dia, eu o enterrei lá mesmo”, relatou.
O depoimento da testemunha também foi formalizado na delegacia.
Ainda em entrevista ao Metrópoles, o padre revelou que o seminarista, que teria executado o animal, havia perguntado a um membro da instituição, também enfermeiro, se há alguma forma de matar alguém “lentamente e sem deixar vestígio”. “Temi pela minha vida. Logo em seguida recebi a informação de que eu fui desligado do Instituto. Decidi denunciar os fatos às autoridades como forma de me proteger e fazer justiça”, acrescentou.
Na manhã desta segunda-feira (1º), a reportagem esteve na sede do Instituto Bíblico de Brasília. Um dos animais permanecia no local. Um religioso afirmou que segue alimentando o cãozinho, mas ressaltou que busca uma família para adotá-lo.

O seminarista apontado como suposto autor do crime de maus-tratos não foi localizado e não respondeu às mensagens. O instituto informou que não vai se manifestar sobre o caso.
Duas novas leis de combate aos maus-tratos a animais passaram a vigorar em outubro do ano passado, após sanção do governador Ibaneis Rocha (MDB). As normas endurecem as medidas contra autores de violência contra pets no Distrito Federal, nas quais há, inclusive, previsão de multa de até 40 salários mínimos, ou seja, R$ 41,8 mil.
Agora, o autor de violência animal, além de multa, deve arcar com as despesas médico-veterinárias do bicho ferido, mesmo em hipótese de atropelamento. Ainda, o agressor pode ficar de 3 a 5 anos proibido de ter a tutela de animais, além de ter de participar de cursos de capacitação sobre dignidade e proteção aos pets.






